segunda-feira, 28 de julho de 2014

GUERRA DO PARAGUAI

I – Primeira parte: a intervenção brasileira no Uruguai


Ao se tornar independente, em 1822, o Brasil herdou da antiga metrópole a política de intervenção nos assuntos internos dos países da região do Prata. A primeira foi durante a Guerra da Cisplatina (1825-1828), quando se deu a independência do Uruguai, até então pertencente ao Brasil – era chamada de Província Cisplatina (Cisplatina significa “do lado de cá do Rio da Prata”). A segunda intervenção se deu novamente nos anos 1851 e 1852, para combater o presidente Manuel Oribe e seu aliado, Juan Manuel Rosas, governador de Buenos Aires. Ambos foram derrotados por uma coalizão de forças de que o Brasil fez parte , na batalha de Monte Caseros. A partir de então o governo de D. Pedro II, imperador do Brasil, procurou manter-se neutro em relação aos problemas internos dos vizinhos platinos.
Pintura reproduzindo a batalha de Monte Caseros - fevereiro de 1852

Passados 12 anos, entretanto, uma trama de intrigas e desacertos levou o governo brasileiro a romper a neutralidade e imiscuir-se novamente no Uruguai. Essa intervenção constituiu-se no estopim da Guerra do Paraguai, que se prolongou do final de 1864 até 1º. de março de 1870. Uma guerra longa, portanto, que exigiu do Brasil e dos demais protagonistas o máximo de seus recursos.
Em 1864, o Uruguai era presidido por Atanásio Aguirre, do partido Blanco, que tinha como adversário Venâcio Flores, chefe do partido Colorado. Os dois travavam uma renhida luta pelo controle do poder no país. Nessa luta, envolveram-se numerosos brasileiros que eram proprietários de terra naquele país e simpatizavam com a causa dos colorados. Muitos combatiam nas fileiras de Flores e, em consequência, sofriam represálias dos blancos.
No início daquele ano, veio ao Rio de Janeiro o general Antônio de Souza Neto, fazendeiro gaúcho, veterano de muitas guerras e aliado dos colorados uruguaios. Ele trazia uma lista de reclamações dos brasileiros afetados pela luta no país vizinho, e cobrou providências do governo brasileiro. Tal foi o apoio que receberam suas queixas na corte (sede do governo imperial no Rio de Janeiro), que a resposta do governo não se fez esperar. Imediatamente, enviou ao Uruguai, em missão especial, o experiente político José Antônio Saraiva, levando aquele que era “o nosso último apelo amigável”, dirigido ao governo uruguaio. O “último apelo” continha pesadas exigências, entre elas o pagamento dos prejuízos reclamados pelos brasileiros e a punição dos responsáveis pelas violências. Se as exigências não fossem atendidas, o Brasil iniciaria imediatamente represálias contra o governo daquele país.
O enviado brasileiro chegou a Montevidéu no dia 6 de maio de 1864, apresentando em seguida suas credenciais ao governo de Aguirre. Mas, escreveu ele mais tarde, “depois de estudar a situação política da República Oriental [Uruguai] e reconhecer que não podia o seu governo, na permanência da guerra civil, satisfazer as reclamações brasileiras”, preferiu transformar sua missão de guerra em uma missão conciliadora. Em correspondência ao governo brasileiro, datada de 18 de maio, ele escreveu “[...] a paz é a única saída que ao governo oriental se oferece para dominar suas dificuldades internas e reabilitar-se para resolver as suas questões internacionais.”
Saraiva não era o único a pensar assim. Coincidentemente, com a mesma intenção dele, haviam chegado a Montevidéu o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Rufino Elizalde, e o embaixador inglês na Argentina, Edward Thornton. A intervenção desses diplomatas, aos quais se juntou o uruguaio Andrés Lamas, tornou possível um princípio de acordo entre Aguirre e Flores, o qual todavia não se consolidou, e no dia 7 de julho os negociadores deram sua missão por encerrada.
Saraiva, então, deixou Montevidéu e partiu para Buenos Aires, à espera de novas instruções do governo brasileiro. No Rio de Janeiro, continuava prevalecendo a ideia de exigir do governo uruguaio a satisfação das reclamações formuladas inicialmente.
Efetivamente, o governo imperial orientou Saraiva a entregar a Aguirre o ultimato brasileiro e dar um prazo para o atendimento delas. Finalmente, no dia 14 de agosto, Saraiva entregou ao governo uruguaio, com três meses de atraso, o ultimato que devia ter apresentado em maio.
Aguirre, provavelmente confiando no apoio de Solano López, presidente do Paraguai, negou-se a aceitar as exigências brasileiras, alegando que aquele era um documento indigno de permanecer nos arquivos de sua nação. Diante disso, Saraiva ordenou o início das hostilidades contra o Uruguai. Essa atitude colocava o Brasil e a Argentina no mesmo barco, pois o governo de Buenos Aires, presidido por Bartolomeu Mitre, já vinha apoiando, embora não oficialmente, o líder colorado Venâncio Flores. Essa concordância de interesses permitiu o entendimento entre Saraiva e Mitre para agirem de comum acordo em relação ao governo de Montevidéu. Poucos dias depois, no começo de setembro, Saraiva deixou a missão diplomática de que fora incumbido no Prata e retornou ao Rio de Janeiro.
Barão de Tamandaré


Com a partida de Saraiva, os interesses brasileiros ficaram a cargo do comandante das forças navais brasileiras no Prata, o vice-almirante barão de Tamandaré (Joaquim Marques Lisboa). A partir desse momento, foi ele o executor das represálias contra o governo de Aguirre, agindo em conjunto com flores, com quem assinou um acordo de cooperação. A armada de Tamandaré tomou o porto de Salto e assediou o porto de Paissandu, ambos no rio Uruguai. Em dezembro, entraram em território oriental as tropas comandadas pelo general João Propício Mena Barreto, que colaboraram na tomada de Paissandu. Em seguidas, forças de terra e mar sitiaram Montevidéu. A partir desse momento, a causa de Aguirre estava perdida.

Nessa mesma ocasião (dezembro de 1864), chegava à capital argentina José da Silva Paranhos (futuro visconde de Rio Branco), o novo encarregado de dirigir os interesses diplomáticos do Brasil no Prata. Simultaneamente, Aguirre deixou o poder em Montevidéu, sendo substituído pelo presidente do Senado. Com este negociou Paranhos um acordo de paz, que permitiu uma solução pacífica para o conflito: as forças aliadas entraram em Montevidéu sem violência; o poder foi entregue a Venâncio Flores e este concordou em atender as exigências brasileiras. Com isso, o Uruguai deixou de ser inimigo do Brasil para se tornar aliado, justamente quando começava um novo conflito, muito mais grave – a guerra contra Francisco Solano López, presidente do Paraguai.

O NASCIMENTO DO SISTEMA FABRIL

O pioneirismo inglês

A Revolução Industrial foi o resultado de um longo pro­cesso que teve início na Baixa Idade Média, com o renascimento das cidades e do comércio na Europa ocidental. A partir desse momento, ganharam importância cada vez maior as noções de lucro e de produtividade, fundamentais para o desenvolvimento de uma mentalidade voltada para o enriquecimento e para a acumulação: a mentalidade empresarial capitalista.
Com as Grandes Navegações, entre os séculos XV e XVI, as atividades econômicas se expandiram. Controlando vastos territórios em quase todo o mundo, os europeus passaram a explorar o comércio em proporções mundiais, levando para o seu continente riquezas que seriam aplicadas na fabricação de produtos destinados a alimentar um mercado cada vez maior.

O sistema doméstico
As próprias formas de produção de mercadorias na Europa acabaram por se transformar. Para atender à demanda crescente, surgiram métodos mais eficientes de produzir. Com isso, as antigas corporações de ofício se enfraqueceram e perderam importância. Elas foram, gradativamente, substituídas pela produção manufatureira. Os artesãos trabalhavam em suas próprias casas por encomenda. Por isso essa forma de produção é também chamada de sistema doméstica. Essa nova forma de produção era dirigida por um comerciante que controlava o trabalho de vários artesão, fornecendo a matéria-prima e as ferramentas neces­sárias e, como forma de pagamento, recebiam um salário.
A partir de meados do século XVIII, alguns comerciantes perceberam que podiam aumentar ainda mais a produção e os lucros. E, em vez de espalhar ferramentas e matérias-primas entre os artesãos do sistema doméstico, passaram a reuni-los num mesmo local para trabalhar: assim surgiram as fábricas, ou o sistema fabril, com a substituição das ferramentas artesanais pelas máquinas.

Surge o sistema fabril
As fábricas trouxeram muitas vantagens aos empresários. Ficou mais fácil controlar a produção, pois era possível reduzir a perda de matérias-primas, por exemplo, e ao mesmo tempo fiscalizar de perto a qualidade do produto. A fábrica possibilitou ainda incrementar a produtividade, ao tornar mais eficaz o controle sobre a velocidade e o ritmo do trabalhador. Além disso, a produção foi reorganizada. A fabricação de cada mercadoria passou a ser dividida em várias etapas, num processo conhecido como produção em série. Concentrado em uma única atividade, o trabalhador especializava-se e aumentava a produção.
Essas características acabaram influindo no custo final do produto. Com mercadorias produzidas por meios mais baratos, era possível aumentar a margem de lucro e o mercado consumidor.
As fábricas mudaram a paisagem da Inglaterra.

 Mudanças causadas pelas fábricas
As fábricas são um dos símbolos mais visíveis da Revolução Industrial. Elas modificaram as sociedades de forma definitiva: além de introduzir a produção em série de mercadorias — uma inovação no sistema produtivo —, alteraram as relações de trabalho e a paisagem.
Foram as fábricas as principais responsáveis pelo desenvolvimento das grandes cidades, um novo cenário dominado por chaminés e por multidões de trabalhadores, marcado também por sério desequilíbrio ambiental.
A transformação mais importante no modo de produção, porém, foi causada pelo emprego de máquinas movidas a vapor nas unidades fabris, o que assinalou a passagem da produção artesanal domiciliar para a produção em grande escala. Multiplicando o trabalho humano, as máquinas ampliaram ainda mais a produção de mercadorias. Assim, surgiram as indústrias modernas, reunindo centenas de trabalhadores, incluindo mulheres e crianças.
O trabalho de mulheres e crianças ganhou espaço nas novas fábricas.

A Revolução Industrial e o trabalhador
Para o trabalhador, esse processo significou a perda gradual do controle de suas atividades. Na época das corporações de ofício, ele era dono de suas ferramentas e senhor de seu ritmo de trabalho. Na manufatura, sem suas ferramentas e matérias-primas, tornou-se dependente do comerciante, mas ainda exercia o controle sobre seu trabalho.
No sistema fabril, esse controle passou a ser feito por técnicos, sob o comando dos empresários. A atividade do trabalhador tornou-se apenas uma parcela da produção geral, e ele perdeu o domínio sobre o produto final de seu trabalho.


sábado, 26 de julho de 2014

NELSON MANDELA

A globalização da responsabilidade


Nelson Mandela, o principal líder da resistência ao apartheid na África do Sul,
foi presidente de seu país entre 1994 e 1999. No texto a seguir, ele comenta os riscos sociais da desigualdade econômica e da distribuição injusta das riquezas entre países ricos e pobres.

Feitas as contas, o que as pessoas comuns de todos os países do mundo estão pedindo é a simples oportunidade de viver uma vida decente, de ter um abrigo adequado e comida para comer, poder cuidar dos filhos e viver com dignidade, uma boa educação para suas crianças e o atendimento de suas necessidades de saúde, acesso a um emprego remunerado.
Em resumo, o principal desafio que o nosso mundo enfrenta no novo século é a erradicação da pobreza, que ainda cobre muitas partes do globo e flagela uma grande porcentagem da espécie humana. Vale a pena citar o Relatório de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas de 1999 para lembrar a escala de desigualdade à medida que saímos do século e do milênio.

O documento aponta “oportunidades e recompensas da globalização sendo distribuídas desigual e injustamente, concentrando poder e riqueza em um grupo seleto de pessoas, nações e corporações, marginalizando os outros”. Alerta que “quando as causas de lucro dos jogadores do mercado se descontrolam, elas desafiam a ética das pessoas e sacrificam o respeito à justiça e aos direitos humanos”.
O relatório prossegue apresentando números específicos, que ressaltam a distribuição desigual e injusta. Os cinco países mais ricos têm 86% do Produto Interno Bruto mundial. Os cinco últimos, apenas 1%. Os cinco primeiros comandam 82% dos mercados de exportação. Os cinco últimos, apenas 1%.
O destino econômico de um país não está apenas em suas mãos. No mundo globalizado, acontecimentos em um canto do planeta podem ter um efeito imenso sobre o destino de outros, mesmo que distantes e de modo algum envolvidos nesses acontecimentos.
Esse estado de coisas deveria lembrar-nos que, à medida que afetamos o destino uns dos outros, também temos uma responsabilidade comum no tratamento da pobreza. A simples confiança no mercado para automaticamente erradicar a pobreza e a grande desigualdade é uma grave falácia. Todos sabemos que o mercado, com todos os seus benefícios, não resolve tudo.
Se, da noite para o dia, como resultado da agitação dos mercados financeiros, 17 milhões de pessoas na Indonésia caem na pobreza; se 1 milhão de crianças naquela região não conseguem voltar à escola; se ao redor do mundo 1,3 bilhão de pessoas vivem com menos de um dólar por dia e 3 bilhões de pessoas com menos de dois dólares por dia, se 1,3 bilhão de pessoas não têm acesso a água limpa, 2 bilhões não têm acesso ao poder, certamente, não podemos continuar com os negócios como eles são hoje.
Juntos, vivemos todos em uma aldeia global e, a longo prazo, não é vantajoso para ninguém que haja ilhas de riqueza em um mar de pobreza. Precisamos também de uma globalização da responsabilidade. Acima de tudo, esse é o desafio do próximo século.
Adaptado de: Mandela, Nelson. Globalização da responsabilidade. Zero Hora, 29 jul. 2000.


O ASSASSINATO DO PRESIDENTE ABRAHAM LINCOLN

Condenação dos envolvidos na conspiração 

No final de 1864, poucos meses antes do encerramento da Guerra Civil, Abraham Lincoln foi reeleito presidente dos Estados Unidos por uma maioria expressiva. Mas o provável desfecho do conflito tornou-se previsível a partir do dia 8 de abril, quando se deu a rendição do general sulista Robert E. Lee (o encerramento oficial do conflito, porém, somente ocorreria em 28 de junho de 1865).

Poucos dias após a rendição do general Lee, o presidente Lincoln foi assassinado por John Wilkes Booth, enquanto assistia à encenação da peça Our American Cousin, no Teatro Ford. Esse é um fato bastante sabido. Mas o que muitos ignoram é que, na verdade, houve uma conspiração para cometer esse crime, e eram muitos os envolvidos.

Booth era um ator teatral de grande prestígio na época e era um sulista fanático. Percebendo que a causa dos estados sulistas estava perdida, ele reuniu um grupo de conspiradores. A ideia inicial era sequestrar Lincoln para trocá-lo por prisioneiros sulistas. Mas a rendição do general Lee, comandante da maior força armada dos estados do Sul, em 1865, fez os conspiradores mudarem de ideia: o objetivo não seria mais o sequestro de Lincoln, mas sua morte, dele e de outros líderes do governo. Booth e seus amigos achavam que, se isso acontecesse, a guerra, que ainda não estava encerrada, poderia mudar de curso em favor do Sul.

O dia escolhido foi 14 de abril de 1865. Na véspera, liderados por Booth, alguns dos conspiradores se reuniram no Hotel Kirkwood, para a divisão das tarefas. A George Atzerodt coube a tarefa de assassinar o vice-presidente, Andrew Johnson. Enquanto isso, Lewis Powell, com o auxílio de David Herold, devia ir à casa do secretário de Estado, William H. Seward, e matá-lo. Seward era o segundo na linha de sucessão presidencial (o primeiro, obviamente, era o vice-presidente). John Wilkes Booth atribuiu a si mesmo a tarefa de maior responsabilidade, a qual, se bem sucedida, renderia o maior prestígio: assassinar o presidente Abraham Lincoln.

Dos três, George Atzerodt foi o único que fracassou completamente. Ele havia entrado em um bar, e, depois de tomar uns tragos, desistiu de cometer o assassinato do vice-presidente, ou porque perdeu a coragem ou porque ficou bêbado ou por outro motivo.

Em 14 de abril de 1865, Lewis Powell e David Herold foram até a residência Seward. Powell entrou na casa, alegando que trazia remédios enviados pelo Dr. Verdi para Seward. (No início do mês, em 5 de abril de 1865, Seward tinha sido ferido em um acidente de carro, e quebrou a mandíbula e o braço direito, além de outras contusões graves. Ele estava em casa em convalescença.)

Powell entrou no quarto e tentou matar William Seward, esfaqueando-o repetidas vezes. Powell também feriu os dois filhos mais velhos de Seward e o sargento George F. Robinson, que estava ali como enfermeiro. Na saída, ainda agrediu Emerick Hansell, mensageiro, que chegava na hora em que Powell estava escapando.

A pintura mostra  o assassinato de Abraham Lincoln, 
dentro do Teatro Ford. Da esquerda para a direita: 
Henry Rathbone, Clara Harris, Mary Todd Lincoln, 
Abraham Lincoln e o assassino,  John Wilkes Booth
Ao sair à rua, notou que seu comparsa David Herold o havia abandonado, e sem ele Powell ficou perdido, pois não conhecia as rotas de fuga. Depois de vagar pela cidade durante três dias, chegou à pensão da senhora Mary Surratt, que ele costumava frequentar. A polícia sabia dessa ligação e ficou à espera. Ao chegar, foi preso. A senhora Surratt negou conhecer Powell, mas mesmo assim também foi levada pelos policiais para se juntar a outros conspiradores presos. Entre estes estava George Atzerodt, que havia fugido para uma fazenda em Germantown, a cerca de 40 km a noroeste de Washington, e ali foi localizado e preso no dia 20 de abril.

Ao abandonar Lewis Powell na casa de Seward, David Herold saiu de Washington e foi ao encontro de John Wilkes Booth, que já havia cometido o crime contra Lincoln. Encontraram-se nas imediações de Washington e juntos seguiram para o sul, em direção à Virgínia. No caminho, passaram pela casa do Dr. Samuel Mudd, um velho conhecido, para que ele examinasse a perna de Booth, que havia se quebrado quando da fuga do teatro.

Seguindo para o sul, já na Virgínia, se refugiaram na fazenda de Richard H. Garrett, onde Booth se apresentou como um soldado confederado que tinha sido ferido na batalha de Petersburg e estava voltando para casa. Os Garretts ainda não tinham conhecimento do assassinato de Lincoln.

Os fugitivos  permaneceram na fazenda até que as autoridades os encontraram, no dia 26 de abril. Herold se rendeu às tropas, mas Booth, recusando-se a se render, foi baleado e morreu poucas horas depois.
Todos os envolvidos que sobreviveram foram presos. Alguns foram logo liberados, e a lista de suspeitos se reduziu a oito conspiradores: Samuel Arnold, George Atzerodt, David Herold, Samuel Mudd, Michael O'Laughlen, Lewis Powell, Edmund Spangler  e Mary Surratt – sete homens e uma mulher.

Os oito suspeitos foram julgados por um tribunal militar, cuja criação fora ordenada por Andrew Johnson, então presidente. O julgamento durou cerca de sete semanas. Edmund Spangler foi condenado a seis anos de prisão. Dr. Samuel Mudd, Samuel Arnold e Michael O'Laughlen foram condenados à prisão perpétua. Todos esses, porém, foram anistiados alguns anos depois. Os outros – Mary Surratt, Lewis Powell, David Herold e George Atzerodt – foram condenados à morte e enforcados em 7 de julho de 1865.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

HERNAN CORTES E A CONQUISTA DO MÉXICO

O ouro asteca para os espanhóis

 Um dos homens de confiança da Coroa espanhola, Hernán Cortez (às vezes também grafado como Hernan Cortes) chegou à América em 1504. Em menos de duas décadas, se transformaria num dos conquistadores mais ricos e poderosos do continente.

"Hernan Cortes e Monteczuma no templo mexicano" - Cena do friso que decora o Capitólio dos Estados Unidos. Pintado em algum momento entre 1878 e 1880 por Constantino Brumidi.

Em fevereiro de 1519, depois de alguns contatos já ocorridos entre espanhóis e astecas, Cortez partiu da atual ilha de Cuba em direção ao continente. Levava consigo onze navios com pouco mais de 600 homens, armados de catorze canhões, muitos arcabuzes, mosquetões e pistolas, além de dezesseis cavalos.

Dois meses depois, ele desembarcou na atual costa mexicana, onde recebeu emissários do imperador Montezuma que lhe ofereceram diversos presentes. As notícias sobre a riqueza e a extensão do Império aguçaram a cobiça do conquistador, que procurou arregimentar homens para suas tropas entre os povos que haviam sido subjugados pelos astecas. Obtido o apoio desses grupos, Cortez marchou em direção à principal cidade asteca, Tenochtitlán, acompanhado de milhares de guerreiros nativos.

Em novembro de 1519, ao entrar em Tenochtitlán, o conquistador foi recebido amistosamente por Montezuma que, acreditando nas previsões de alguns mitos religiosos, interpretou a chegada dos europeus como a volta do deus Quetzalcoatl. Em pouco tempo, porém, ficaria claro o grande equívoco do imperador.

Cortez e seus homens permaneceram vários meses em Tenochtitlán. Quando precisou se ausentar da cidade, seu subs­tituto no comando das tropas acabou deflagrando um conflito de consequências trágicas: ordenou o massacre de cerca de 6 mil nativos no interior de um templo. Ao retornar, Cortez não conseguiu acalmar os ânimos dos astecas.

Em junho de 1520, os astecas revidaram e infligiram pesada derrota aos espanhóis. Em resposta, Cortez buscou novos reforços e sitiou a cidade. Os astecas lutaram até o esgotamento. Finalmente, em 13 de agosto de 1521, o último imperador, Quatemozim, teve de render-se. O Império Asteca foi des­truído e passou ao domínio da Coroa espanhola sob o nome de Nova Espanha, governada por Hernán Cortez.




O PENSAMENTO DE FREI CANECA

Incansável defensor da liberdade 


Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, ou Frei Caneca como ficou conhecido, tomou parte nas revoluções de 1817 e de 1824. Entre os participantes da Confederação do Equador, onze foram condenados à morte. O primeiro deles foi Frei Caneca. A condenação determinava que ele fosse executado na forca. Os carrascos, porém, se recusaram a cumprir a sentença. Em vista disso, a Comissão Militar ordenou seu fuzilamento.

A seguir, transcrevemos alguns artigos de um de seus escritos mais interessantes, intitulado Bases para a formação do pacto social.

1º Os direitos naturais, civis e políticos do homem são a liberdade, a igualdade, a segurança, a prosperidade e a resistência à opressão. (...)
4º A todo homem é livre manifestar os seus sentimentos e a sua opinião sobre qualquer objeto.
5º A liberdade da imprensa, ou outro qualquer meio de publicar esses sentimentos, não pode ser proibida, suspensa nem limitada.
6º A igualdade consiste em que cada um possa gozar dos mesmos direitos.
7º A lei deve ser igual para todos, recompensando ou punindo, protegendo ou reprimindo. (...)
14º Ninguém deve ser punido, senão em virtude de uma lei estabelecida, promulgada anteriormente ao delito, e legalmente aplicada. (...)
22º A instrução elementar é necessária a todos, e a sociedade a deve prestar igualmente a todos os seus membros. (...)

30º Os homens reunidos em sociedade devem ter um meio legal de resistir à opressão.

In: Mello, Evaldo Cabral de (Org.). Frei Joaquim do Amor Divino Caneca. São Paulo: Editora 34, 2001. p. 494 ss.

O IMPÉRIO BIZANTINO

Constantinopla: um grande centro comercial

Quando, a partir de meados do século VII, os árabes ocuparam a Palestina, a Síria, o Egito e todo o norte da África, Constantinopla viu crescer sua importância no seio da Cristandade, como centro econômico, político e religioso no Mediterrâneo oriental.


Tendo incrementado a construção naval e desenvolvido uma importante indústria de armamentos e artigos de luxo (como sedas e marfins), a cidade canalizava seus excedentes tanto para os portos mediterrâneos como para os mercados asiáticos.
Também os navios das nascentes repúblicas italianas (sobretudo Gênova e Veneza) e das cidades bizantinas do sul da península Itálica demandavam Constantinopla em busca desses mesmos produtos e das rotas que lhes dariam acesso às mercadorias do Extremo Oriente.
Trebizonda, localizada às margens do mar Negro, era a cidade bizantina que se abria para o comércio asiático, enquanto Quersoneia, na Crimeia, recebia as matérias-primas vindas do Báltico em caravanas que atravessavam as planícies russas. Esta última corrente comercial era alimentada por povos escandinavos, como os suecos, conhecidos nas margens do Dnieper por “russ” ou varângios. A sua influência se deveu o crescimento das cidades de Kiev e Novgorod, sobre as quais Cons­tantinopla veio a estender sua presença espiritual.

Espinosa, Fernanda. Antologia de textos medievais. Lisboa: Livraria Sá da Costa Editora, 1972. p. 52.