quinta-feira, 9 de setembro de 2021

 ALBERT SCHWEITZER

Existiram (e ainda existem) pessoas extraordinárias. Não temos como não deixar de admirá-las. E por mais que a gente elogie, ainda é pouco. Vou dedicar essa postagem a uma pessoa que se encaixa nessa categoria. Confira.
Trata-se de Albert Schweitzer, que dedicou seus talentos e a própria vida à ação humanitária. Nascido em 1875, em território da Alemanha, hoje pertencente à França; ele próprio se considerava francês. Diplomou-se simultaneamente em Teologia e Filosofia, e tornou-se professor da própria universidade em que estudara. Paralelamente, dedicava-se à música erudita, destacando-se como organista e exímio intérprete de Bach, e à religião, sendo pastor de igreja.
Não satisfeito com tudo isso, aos trinta anos, em 1905, começou a estudar medicina, motivado pela situação de penúria dos habitantes das colônias europeias na África, particularmente carentes de assistência médica.
Seis anos depois, já formado, partiu para Lambaréné, no Gabão, que era então uma colônia francesa. Pretendia trabalhar numa missão evangélica, que havia aberto um posto de saúde e necessitava de médicos.
Ali, deparou-se com absoluta falta de recursos, mas não desanimou – improvisou um consultório num antigo galinheiro! Apesar do clima, da falta de higiene, das dificuldades com o idioma dos nativos, da carência de remédios e de instrumentos de trabalho, ele continuou atendendo seus clientes, numa média de 40 por dia. E ainda sobrava tempo para ensinar o Evangelho para os habitantes locais!
Durante a Primeira Guerra Mundial, Albert Schweitzer e sua família foram levados para a França, como prisioneiros de guerra (França e Alemanha estavam em campos opostos), e foram mantidos em um campo de prisioneiros. Com o final da guerra, Schweitzer circulou por diversos países da Europa, realizando palestras e dando concertos, com o objetivo de angariar fundos para retomar sua obra na África. Tornou-se conhecido em muitos círculos intelectuais do continente europeu.
E após sete anos de permanência na Europa, em 1924, partiu novamente para Lambaréné. Dessa vez, levava consigo médicos e enfermeiras, uma das quais era sua própria esposa. Construíram um hospital. Contando, agora, com a colaboração de uma equipe de profissionais, Schweitzer pôde dedicar parte de seu tempo a escrever livros, fazer palestras e dar concertos, cuja renda servia para manter o hospital.
Em 1952, recebeu o Prêmio Nobel da Paz, como homenagem a uma intensa vida inteiramente dedicada ao propósito de servir ao bem comum. Faleceu em Lambarené, no Gabão, aos 90 anos de idade.

 MARIA ANTONIETA, rainha da França

Seu nome de batismo era Maria Antônia. Era arquiduquesa e filha dos imperadores do grande Império Austríaco. E foi usada por sua mãe (quando já viúva) como moeda para expandir ou construir novas alianças para o império. A jovem princesa deu o grande azar de ser oferecida em casamento a Luís Augusto, Delfim de França e futuro rei Luís XVI.
Em abril de 1770, foi celebrado o casamento por procuração. A partir desse momento Antônia foi oficialmente chamada de "Marie Antoniette, Dauphine de France". Para nós, ficou sendo Maria Antonieta.
Em 21 de abril de 1770, seguida por um suntuoso cortejo de cinquenta e sete carruagens, Maria Antonieta despediu-se de sua família e deixou Viena para nunca mais voltar.
No mês seguinte, ela já estava na França e o casamento oficial foi celebrado com grande pompa numa cerimônia solene no Salão dos Espelhos, no palácio de Versalhes.
Quatro anos depois, como resultado da morte de seu avô, Luís XV, o Delfim foi coroado rei; Maria Antonieta se tornou, então, rainha da França. Tinha apenas 18 anos.
Naquele tempo, as princesas eram educadas para um dia se tornarem rainhas. Apesar disso, Maria Antonieta, além de muito jovem, não estava preparada para lidar com a Corte de Versalhes. Eram centenas de pessoas, talvez milhares, com regras próprias de convívio e intrigas de todo tipo. Pode-se dizer que a Corte formava um "Estado dentro do Estado".
A vida de Maria Antonieta não era nada fácil. Por ser da Áustria, um inimigo histórico da França, ela nunca foi bem aceita pela Corte. Mesmo o marido se mantinha distante. A história registra que ela permaneceu virgem por sete anos! Foi somente em 1778, que ela deu à luz uma filha, e ainda demorou outros três anos para ela ter um filho homem, o tão desejado sucessor ao trono. (Ela e Luís XVI tiveram quatro filhos, dos quais apenas a primogênita chegou à idade adulta.)
Durante todo o tempo, não paravam de circular boatos que prejudicavam sua imagem junto ao povo: acusavam-na de gostar de luxo, de promover festas, de gastar rios de dinheiro no jogo, de ter amantes e até de coisas piores. Ela poderia ter sobrevivido a isso se a situação financeira do reino fosse boa. Mas não: depois de 1778, a economia só fez piorar. Começaram a ocorrer motins por todo o país. Certa dia, os manifestantes foram até Versalhes reclamar que não tinham pão. A rainha teria então dito a frase que se tornou famosa: "Se não tem pão, que comam brioches!" A frase pode não ser verdadeira, mas refletia uma situação real, ou seja, a de que o governo estava distante do povo.
Como resultado da crise, em 1789, teve início a grande Revolução Francesa. A violência se espalhou pelo país. O povo cansado de séculos de exploração atacava os castelos e matava os odiados nobres. Muitos fugiram da França por temerem pela vida.
Em 1791, o próprio Luís XVI, disfarçado de criado, tentou fugir do país, levando a família. Porém, a poucos quilômetros da fronteira, foi reconhecido e preso, e levado de volta. O rei e a família foram mantidos em prisão domiciliar em Paris. Luís XVI foi acusado de traição e condenado à morte. Foi guilhotinado, em 21 de janeiro de 1793.
Maria Antonieta continuou presa, aguardando o julgamento. Foi acusada de conspiração, assassinato, falsificação de assinaturas e revelação de segredos aos inimigos da França. Defendeu-se com vigor. O julgamento, entretanto, era apenas uma farsa, pois o resultado já estava definido desde o início. Na manhã de 16 de outubro de 1793, uma quarta-feira, foi levada para a execução, para a alegria do povo reunido na Praça da Revolução (hoje, Praça da Concórdia). Sem vacilar, subiu serenamente os degraus do cadafalso. Era mais ou menos meio-dia quando a lâmina caiu sobre seu pescoço. Tinha 38 anos.

 MAOMÉ E A FUNDAÇÃO DO ISLAMISMO

Os árabes eram praticantes do politeísmo (embora também houvesse comunidades cristãs e judaicas). E a cidade de Meca era o centro religioso mais importante, além de ser um polo comercial. Estava situada num estreito vale em meio a uma região árida. E para lá confluíam as peregrinações religiosas dos beduínos. Era lá também que ficava a Caaba, santuário que abrigava inúmeros ídolos, além da Pedra Preta — provavelmente um pedaço de meteorito —, considerada sagrada. Além desse, existiam outros locais na cidade considerados importantes para os cultos politeístas dos povos árabes antigos.
A vida dos árabes passou por uma completa transformação com o advento de uma nova religião, o islamismo. Seu fundador foi
Abu al-Qasim Muhammad ibn ‘Abd Allah ibn ‘Abd al-Muttalib ibn Hashim, mais conhecido como Maomé. Havia nascido justamente em Meca, provavelmente em 570. Órfão desde pequeno, Maomé foi adotado por um tio e se integrou às atividades comerciais da família. Durante grande parte da vida, foi condutor de caravanas, o que lhe permitiu entrar em contato com outros povos e conhecer outras culturas e religiões.
Maomé se casou várias vezes. A primeira foi com a jovem viúva Khadija, com quem teve seis filhos. Ficaram juntos por 25 anos, até a morte dela. Posteriormente, o profeta casou-se 13 vezes, para concretizar alianças políticas e expandir a religião,
Segundo a tradição, quando Maomé tinha cerca de 40 anos, começou a ter revelações. Em uma delas, o anjo Gabriel teria lhe dito: “Há um só Deus, Alá, e Maomé é seu profeta”.
Ele havia sido escolhido para ser o último profeta na Terra. A partir dessas revelações, ele passou a pregar uma nova religião, o islã, que significa submissão a Deus. Seus principais fundamentos incorporavam crenças árabes tradicionais, judaicas e cristãs.
Após converter a própria família, Maomé passou a pregar o islã aos beduínos, em Meca. Os comerciantes da cidade, entretanto, receavam que o monoteísmo pregado pelo islã afastasse os peregrinos e prejudicasse seus negócios. Hostilizado e perseguido, Maomé fugiu de Meca, refugiando-se na cidade de Yatreb (hoje conhecida como Medina, isto é, cidade do profeta). O ano da fuga de Maomé (Hégira, em árabe), ocorrida em 622, é considerado o primeiro do calendário muçulmano.
Em Medina, Maomé continuou pregando a nova religião, transformando-se em líder religioso, mas também político. Conseguiu reunir muitos aliados entre os comerciantes e os beduínos convertidos e, em pouco tempo, o islamismo conquistou muitos seguidores, impondo-se por toda a Arábia por meio da pregação e da força.
Em 630, Maomé retornou vitorioso à cidade sagrada. Retirou da Caaba todas as imagens de deuses do culto politeísta, dedicando o templo unicamente à adoração de Alá.
Maomé faleceu pouco depois. Tinha então fundado uma religião - a que mais cresce em todo o mundo. Tinha também organizado um Estado teocrático e lançado os fundamentos ideológicos do império que iria se formar em seguida. Foi sucedido por califas (palavra que significa “substituto”). Os quatro primeiros foram escolhidos entre os familiares do profeta, começando por um de seus sogros, Abu Beker.

 GUERRA DE SECESSÃO NOS EUA

A Guerra de Secessão foi travada entre o Norte e o Sul dos EUA. É também chamada de Guerra Civil Americana, porque foi travada entre cidadãos do mesmo país, no caso, os EUA.
Teve início em 1861 e custou a vida de mais de 600 mil pessoas, um número que pode ter chegado a 750 mil. Um conflito dessas proporções só pode ter sido provocado por rivalidades muito sérias. Vejamos os fatos principais:
1. A região Norte dos Estados Unidos era a parte industrial do país e se apoiava no trabalho assalariado; o Sul, ao contrário, era predominantemente agrícola. Produzia algodão para exportação e dependia do trabalho escravo.
2. A burguesia do Norte criticava o trabalho escravo e defendia o protecionismo alfandegário, isto é, o aumento das taxas de importação, para que seus produtos pudessem competir no mercado interno com os produtos vindos da Europa.
3) Os sulistas, ao contrário, além da defesa da escravidão, eram favoráveis ao livre-cambismo, ou seja, uma política de liberdade comercial sem taxas protecionistas.
3. A essas diferenças de ordem econômica se somavam as razões ideológicas. No Norte, a campanha abolicionista se intensificava e surgiam movimentos em favor da emancipação dos escravos. A campanha abolicionista crescia a cada dia e, em 1852, ganhou importante reforço com a publicação do livro A cabana do pai Tomás, de Harriet Beecher Stowe, que narrava a dolorosa existência dos escravos nas fazendas do Sul. Imediatamente, o livro se tornou um best-seller.
4) Ainda havia a questão da expansão do trabalho escravo para novas regiões que estavam sendo incorporadas aos Estados Unidos. O Sul defendia a extensão da escravidão para esses novos territórios; o Norte obviamente era contra.
5. Em meio a esses embates, em 1860 foi eleito presidente dos Estados Unidos o nortista Abraham Lincoln, membro do Partido Republicano. Ele era favorável a uma política protecionista e opunha- -se à escravidão
6) Assim que a vitória de Lincoln foi confirmada, a Carolina do Sul proclamou a separação da União, sendo seguida por outros dez estados sulistas. Juntos, eles formaram uma nova estrutura política nacional, os Estados Confederados da América. O novo país tinha sua capital em Richmond, na Virgínia.
O conflito teve início em 12 de abril de 1861, quando tropas confederadas tomaram de assalto o forte Sumter, na Carolina do Sul, que pertencia à União. Três dias depois, Lincoln declarou guerra à Confederação. O conflito durou quatro anos e culminou com a vitória do Norte. A abolição da escravidão foi decretada em 1º de janeiro de 1863 e reafirmada com a promulgação da 13ª Emenda Constitucional em 1865.
Há muitos filmes que tem a Guerra de Secessão como tema. O mais conhecido é "...E o vento levou", de 1939. O filme tem quatro horas de duração!

 SOCIALISMO/COMUNISMO

As palavras socialismo e comunismo são muito mal compreendidas. Este texto vai colocá-las numa perspectiva histórica para facilitar sua compreensão. Espero que você leia e fique por dentro do assunto.
O começo
Tudo tem um começo. Para o socialismo, essa história começa em meados do século XVIII, já lá se vão 270 anos!
Foi quando se iniciaram as transformações provocadas pela Revolução Industrial que consolidou o sistema capitalista. Esse sistema deu origem a duas classes sociais bem diferenciadas: a burguesia (donos das fábricas) e o proletariado (trabalhadores das fábricas)
O começo da industrialização foi cruel para os trabalhadores. Nada os protegia. Nem lei, nem partido, nem sindicato. Vítimas da exploração desenfreada, os trabalhadores foram lançados numa miséria crescente, em completo contraste com a riqueza que o trabalho deles criava.
Logo essa situação viu surgir um pequeno grupo de escritores, políticos e pensadores, dotado de um desejo de reforma da sociedade. Foram justamente as doutrinas e os princípios que eles defendiam que constituíram o socialismo, uma ideologia favorável aos trabalhadores.
O ponto de partida do socialismo era a crítica às desigualdades sociais criadas ou acentuadas pelo sistema capitalista.
Os primeiros socialistas achavam que a implantação do sistema socialista ocorreria de forma lenta e gradual, de forma pacífica, contando com a boa vontade da própria burguesia.
Eles foram chamados de socialistas utópicos. [A palavra “utópico” deriva de Utopia, título de um livro famoso que o inglês Thomas Morus escreveu no século XVI. Nessa obra, o autor descreve uma sociedade perfeita.]
Marx e Engels
Os autores da expressão “socialistas utópicos” foram Karl Marx e Friedrich Engels. Esses dois pensadores de origem germânica criticaram os primeiros socialistas por pretenderem alcançar uma sociedade socialista de uma forma que não era possível na prática – por isso, “utópica” -, pois dependia do consentimento e da ajuda da burguesia.
Marx e Engels fizeram uma crítica radical do capitalismo. Desenvolveram uma doutrina à qual deram o nome de socialismo científico ou comunismo.
Em 1848, lançaram o Manifesto do Partido Comunista, que teve profundas e duradouras repercussões no movimento operário e socialista internacional.
Em resumo
Para Marx e Engels, o capitalismo estava condenado à extinção, assim como haviam desaparecido também o feudalismo e o escravismo. O agente dessa extinção seria o proletariado.
Para a vitória do proletariado, era necessário organizar os trabalhadores em um partido revolucionário - o Partido Comunista. Em seguida, promover uma insurreição armada que levasse o Partido Comunista ao controle do Estado. O papel desse novo Estado era destruir a principal estrutura da sociedade burguesa: a propriedade privada dos meios de produção.
E, no seu lugar, instituir a propriedade coletiva de todos os meios de produção. Esse Estado, controlado pelos trabalhadores, seria a ditadura do proletariado. Essa fase constituiria a fase socialista, e seria o primeiro estágio para a formação de uma sociedade sem classes e sem Estado. Quando, e somente quando, isso tivesse acontecido (ou seja o fim das classes e do Estado) teríamos, então, a tal sociedade comunista, entendida como uma sociedade da liberdade e da abundância.
Na prática... bem na prática a teoria resultou em algo completamente diferente. Os países que adotaram o socialismo se transformaram em ditaduras opressivas. Mas ainda é preciso acreditar numa utopia, ou seja, num mundo melhor, mesmo que demore 200 ou 300 anos.

 Cabanagem (1835-1840)

A história brasileira não tem nada de pacífica, nem o povo brasileiro é passivo, como às vezes se diz. Tome-se como exemplo a Cabanagem, a mais violenta das revoltas brasileiras. [Atenção: não confundir com a Cabanada, que ocorreu em Pernambuco quase na mesma época.]
Contexto histórico
O palco da Cabanagem foi a antiga província do Grão-Pará, formada pelos atuais estados de Pará, Amazonas, Amapá, Roraima e Rondônia. Sua capital era a cidade de Belém.
Essa província era um foco de tensões desde a época da independência. Vamos lembrar que, desde 1831, o Brasil era governado pela Regência, que substituía D. Pedro II, ainda criança. E também que, no tempo do Império, os presidentes de províncias (hoje chamados governadores de estado) eram nomeados pelo governo central, sediado no Rio de Janeiro.
A província do Grão-Pará tinha cerca de 100 mil habitantes. Grande parte dela era composta de negros (escravos ou não), mestiços e índios. Viviam da extração de produtos da floresta. Tinham como moradias cabanas de pau-a-pique, erguidas nas margens dos rios e igapós da Amazônia; daí veio termo cabanos. E, por constituírem a maioria dos revoltosos, a revolta ficou conhecida com o nome de Cabanagem.
Por conta da situação de miséria a que grande parte da população estava submetida, volta e meia ocorriam pequenas revoltas. Os problemas se agravaram quando o presidente da província, Bernardo Lobo de Sousa, em 1834, tentou colocar em vigor algumas medidas repressivas. Uma delas determinava que os suspeitos de participarem de agitações e revoltas seriam recrutados à força para servir nas tropas governamentais.
Início da revolta
A Cabanagem começou na noite de 6 para 7 de janeiro de 1835. Um grupo de rebeldes ocupou Belém, depois de muitos tiroteios. O governador foi preso e executado, e o poder passou para as mãos dos cabanos.
Entre seus líderes estavam Eduardo Angelim, os irmãos Francisco Pedro e Antônio Vinagre (ambos lavradores), o fazendeiro Clemente Malcher, o jornalista Vicente Ferreira Lavor e o padre Batista Campos.
A tomada do poder não foi a parte mais difícil. A maior dificuldade era manter o poder e estabelecer um governo estável. Não havia projetos e sobravam enormes divergências entre os próprios líderes do movimento. E essa foi a principal causa do fracasso da rebelião.
Clemente Malcher, que assumiu a chefia do governo cabano, jurou fidelidade ao imperador e declarou que permaneceria no poder até a maioridade do herdeiro do trono.
Outros líderes, como Eduardo Angelim e Antônio Vinagre, porém, mais ligados às camadas populares, discordavam de Malcher, e pregavam a ruptura de todos os laços com o poder imperial.
Malcher tentou um golpe, mandando prender os opositores. Estes reagiram, prenderam Malcher, que foi executado. Foi substituído por Francisco Vinagre. Porém, Vinagre insistiu no erro de se declarar fiel ao governo imperial. Negociou uma anistia com o novo governador nomeado pela Regência e entregou o poder. O novo governador, porém, não cumpriu a promessa de anistia, e mandou prender os rebeldes, que tiveram de abandonar Belém e buscar refúgio no interior.
República dos Cabanos
No mês seguinte, em agosto de 1835, cerca de 3 mil cabanos retomaram a capital. Desta vez, proclamaram a República, desligada do Império. O governo republicano chegou a tomar medidas importantes, tais como a introdução de uma moeda, a legalização do porte de armas e o confisco de terras. Mas traições e conflitos entre os líderes enfraqueceram a República dos Cabanos no momento em que precisou lutar para sobreviver.
Isso aconteceu em março de 1836, quando chegaram forças enviadas pelo governo imperial para tomar controle da província. Quatro navios de guerra se posicionaram diante de Belém e bombardearam a cidade. O governo dos cabanos não resistiu. O comandante das forças imperiais, brigadeiro Francisco José de Sousa Soares, assumiu como novo presidente do Grão-Pará, com poderes para exterminar a revolta.
Os rebeldes fugiram e esconderam-se no interior da província. Eduardo Angelim, o último presidente da República cabana, foi preso e enviado para julgamento no Rio de Janeiro.
Apesar de perseguidos, os cabanos continuaram a resistir até 1840, quando os últimos focos foram definitivamente eliminados. Os livros de História registram que, durante todo o conflito, morreram cerca de 40 mil pessoas, ou seja, 40% de uma população de cerca de 100 mil habitantes!
Como lembrança resta, agora, o Memorial da Cabanagem, uma tardia homenagem ao movimento. Em 1985, foi inaugurado, em Belém, um monumento projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

 CHARLIE CHAPLIN (1889-1977)

Uma pequena biografia do maior gênio do cinema
Charles Spencer Chaplin nasceu no dia 16 de abril de 1889, em Londres. Seus pais também eram artistas. Seu pai, Charles Spencer Chaplin, era vocalista e ator, e sua mãe, Hannah Chaplin, era cantora e atriz. Ambos se separaram antes de o pequeno Charlie completar três anos de idade. Por causa disso, Chaplin viveu por algum tempo num asilo e depois numa escola para órfãos e meninos pobres.
Ainda criança, por volta dos dez anos, começou a se apresentar no Music Hall (casa de espetáculos), dando início a sua carreira de artista.
Entre os anos de 1910 e 1912, viajou para os Estados Unidos, acompanhando o grupo de Fred Karno. Após um breve retorno à Inglaterra, Chaplin se transferiu definitivamente para os EUA.
No final de 1913, foi contratado pelo estúdio Keystone. Ele fazia curta-metragens. Foi nessa época que nasceu Carlitos, o Vagabundo, seu famoso personagem que fez sua estreia em fevereiro de 1914.
Carlitos
Carlitos é um andarilho pobretão, mas possui a dignidade e as maneiras refinadas de um príncipe. Usava uma bengala e trajava sempre um paletó apertado, calças esfarrapadas e sapatos maiores do que o seu número. Na cabeça, um chapéu-coco. Ah, não podemos esquecer o seu inconfundível bigode-de-broxa. O bigode de broxa foi popular até os anos 20. Mas então entrou em cena um tal de Hitler usando o dito bigode, e ele se desmoralizou para sempre.
O público amou o Carlitos, e lotava os cinemas para rir e se emocionar com aquele pobretão engraçado. Era o tempo do "cinema mudo", mas isso não era problema para Carlitos; na verdade, era uma vantagem. Os EUA eram um país de imigrantes, que falavam idiomas os mais diversos. Bastavam a mímica e os gestos para que todos entendessem o que Carlitos queria dizer.
Longas-megragens
Chaplin ficou rico e construiu o seu próprio estúdio em Hollywood. Em 1919, Chaplin, junto com alguns sócios, fundou a distribuidora United Artists. Com isso, ele tinha além do estúdio, também a distribuidora, e assegurou sua independência como cineasta.
Além dos curta-metragens, ele começou a trabalhar com longas-metragens. Entre outros "Armas aos ombros" (1918) e o clássico "O garoto" (The Kid, 1921). E também as clássicas comédias "A corrida do ouro" (1925) e "O Circo" (1928).
O "cinema falado" surgiu em 1927, mas Chaplin permaneceu no "cinema mudo" por toda a década seguinte. Foi então que ele produziu os superclássicos: "Luzes da Cidade" (1931) e "Tempos Modernos" (1936). Ele só se rendeu ao "cinema falado" em "O Grande Ditador", lançado em 1940, porque precisava fazer seu Vagabundo discursar.
O Grande Ditador
O filme foi uma crítica contundente ao ditador alemão Adolf Hitler e o nazismo. Quando ele anunciou o projeto do filme, os governos alemão e políticos conservadores norte-americanos pressionaram para que desistisse. Mas Chaplin teve o apoio de ninguém menos que o presidente Franklin D. Roosevelt. Com isso, ele seguiu em frente, e já estava fazendo o filme quando a Segunda Guerra começou. Em "O Grande Ditador", Chaplin faz dois papéis: no principal, ele interpreta Adenoid Hynkel, ditador da "Tomânia", claramente calcado em Hitler. Secundariamente, fez o papel de um barbeiro judeu, fisicamente semelhante ao Vagabundo, sempre perseguido pelos nazistas.
"O Grande Ditador" foi indicado ao Oscar em cinco categorias, mas não conseguiu nenhuma estatueta.
Técnicas de filmagem
Chaplin demorava muito tempo para concluir seus filmes, bem mais do que outros diretores de sua época. Uma explicação para isso é que ele era extremamente perfeccionista. Mostrava a seus atores exatamente como eles deveriam atuar e se enfurecia quando as coisas não davam certo.
Segundo o ator Marlon Brando, que trabalhou com Chaplin, o comediante chegava a ser terrivelmente cruel com os atores.
Filmava dezenas de tomadas até conseguir a cena que ele queria. Conta-se que chegou a filmar uma mesma cena mais de cem vezes!
Além de ator e cineasta
Charlie Chaplin atuou, dirigiu, escreveu, produziu e financiou seus próprios filmes. Sua carreira no ramo do entretenimento durou mais de 75 anos. Começou com suas primeiras atuações, quando ainda era criança, nos teatros londrinos, e continuou quase até sua morte aos 88 anos de idade.
Algumas das músicas de seus filmes, como as de "O Garoto", "Luzes da Cidade", "Tempos Modernos" e "Luzes da Ribalta", permaneceram como obras inesquecíveis. Era um gênio de múltiplos talentos. Muitos o consideram o maior artista cinematográfico de todos os tempos. Era ao mesmo tempo ator, músico, cineasta, produtor, empresário, escritor, poeta, dançarino, coreógrafo, comediante, mímico e regente de orquestra.
Por sua enorme contribuição ao cinema, Chaplin recebeu inúmeros prêmios, culminando com o Oscar especial pelo conjunto da obra, concedido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, em 1972.
Chaplin exilado
Chaplin não era bem visto pelos setores políticos conservadores dos EUA, tanto por seus escândalos amorosos, como por sua crítica à exploração capitalista, que ficou clara no filme "Tempos Modernos". Isso piorou durante a Segunda Guerra Mundial. Chaplin fez campanha a favor da abertura de uma segunda frente contra a Alemanha. Convém lembrar que até aquele momento, 1942, todo o peso da luta contra os nazistas estava recaindo sobre a URSS. Por esse posicionamento em favor da URSS, Chaplin foi boicotado em cinemas dos EUA. Chegou mesmo a ser acusado de comunista, e foi incluído na Lista Negra de Hollywood.
Ao realizar uma turnê pela Europa, em 1952, Chaplin se viu na impossibilidade de regressar aos Estados Unidos. Era a época do macarthismo: de feroz perseguição a todos os suspeitos de simpatia pelo comunismo.
Foi esse clima que intolerância que o FBI aproveitou para revogar o visto de Chaplin. Sem poder voltar para os EUA, ele se exilou na Suiça com sua mulher. Tinha então 63 anos. E só voltaria aos EUA vinte anos depois para receber o Oscar.
Os casamentos
Chaplin teve uma vida amorosa conturbada e repleta de escândalos, os quais faziam a alegria dos jornais. Chegou a ser processado e chamado de pedófilo! Isso acontecia porque ele gostava de receber candidatas jovens para seus filmes, muitas vezes como dublês das atrizes principais.
Chaplin casou-se quatro vezes. O primeiro foi Mildred Harris. O cineasta a tomou como amante quando ela tinha 16 anos. Mas quando ela revelou que estava grávida, a mãe da moça ameaçou Chaplin com um processo. Temendo as repercussões, ele aceitou o casamento, que ocorreu em 1918. Entretanto, separaram-se dois anos depois quando ele descobriu que Mildred havia mentido sobre a gravidez.
A esposa seguinte foi Lillita MacMurray, que ele conhecia desde criança. Tornaram-se amantes quando ela tinha apenas 12 anos! Aos 16, ela engravidou e ele aceitou casar-se. O casamento durou até 1928 quando Lilita, então com dois filhos de Chaplin, pediu divórcio.
A terceira mulher de Chaplin foi a atriz Paulette Goddard. Conheceram-se em 1932, quando ela tinha 20 anos. Estiveram casados por quatro anos, entre 1936 e 1940. Paulette foi a atriz principal em dois grandes filmes de Chaplin: "Tempos Modernos" e "O Grande Ditador".
O quarto e último casamento foi com Oona O'Neill, filha do dramaturgo irlandês Eugene O'Neill. Ele mesmo havia recomendado a filha ao cineasta para um teste como atriz. Mas em vez de atriz, ela se tornou esposa de Chaplin. À época, Oona tinha 18 anos e Chaplin era já um "idoso" de 54. Ao descobrir o relacionamento, Eugene, que tinha a mesma idade do comediante, ficou tão furioso que deserdou a própria filha! Chaplin viveu com Oona até o fim da vida.
Morte
Seu último filme foi "A Condessa de Hong Kong", filmado na Inglaterra e lançado em 1967. Pouco depois, a saúde de Chaplin começou a declinar. Em 1977, ele já tinha dificuldade para falar, e começou a usar uma cadeira de rodas. Morreu de morte natural, no Natal desse mesmo ano, aos 88 anos de idade, em sua casa na Suíça. Sua esposa, Oona O'Neill, que lhe deu oito dos onze filhos que o cineasta teve, faleceu em 1991 e foi sepultada ao lado do marido.