quarta-feira, 30 de julho de 2014



QUANDO ME AMEI DE VERDADE


Charles Chaplin


Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E, então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.

Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é... Autenticidade.


Cena do filme "Luzes da Cidade"

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... Amadurecimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito.

Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.

Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é... Saber viver!!!





DONA DOLORES

Esta senhora da foto era minha mãe, Maria Dolores Figueira. 

Havia nascido em 1909, de uma família que recentemente havia chegado da Espanha. Ela foi o primeiro dos filhos a nascer no Brasil.
Casou-se com meu pai aos dezessete anos, e com ele teve onze filhos, e a todos criou com dedicação e carinho. Nunca bateu num filho, nem ela nem meu pai. E todos os filhos se tornaram adultos de boa índole, o que prova que bater nos filhos é uma violência tola e desnecessária.

A mãe era uma pessoa muito prendada. Fazia sempre questão de ter um forno no quintal para assar pão e uma torta muito saborosa, que só ela sabia fazer e cuja receita levou com ela quando partiu. Além de cozinhar, ela costurava as nossas roupas, cortava os cabelos do marido e dos filhos e escrevia as cartas que meu pai queria mandar para os parentes na Espanha. Escrevia em espanhol, em lugar do pai, que não podia escrever por não ser alfabetizado.

Nunca a vi triste ou deprimida. Ao contrário, estava sempre disposta para fazer o que tinha que ser feito, o que quer que fosse.

Era uma pessoa extremamente bondosa. Uma daquelas pessoas que vieram ao mundo para fazer o bem.

Em sua mocidade, havia sido uma grande dançarina. Mais de uma vez ela nos falou, com emoção, das rosas que ganhava nos bailes por ser a que melhor sabia dançar. Em casa, às vezes, ela ensaiava uns passos, fazendo gestos como se tivesse castanholas nas mãos!

Era, também, uma exímia contadora de histórias, a melhor que conheci. Quando éramos crianças, à noite, ela nos reunia à sua volta para contar histórias. Com seus olhinhos brilhantes, cheios de ternura, ela nos falava com tanto sentimento, que a gente se deixava levar pela sedução de suas palavras e acreditava, por mais absurdas que fossem as histórias. E a gente ia para a cama feliz, com a alma inundada de magia e encantamento. Momentos mágicos, inesquecíveis.

Além de contar histórias, a mãe também gostava de declamar versos e citar frases que ela havia aprendido ao longo da vida. Por exemplo, quando a gente se aproximava dela, reclamando de alguma dor, ela dizia, com seu bom humor de sempre:

- No me pasme, Galindo!

Se viva fosse, hoje, dia 15 de agosto, ela estaria completando 104 anos. Mas ela nos deixou ainda jovem, quando tinha apenas 92 anos.

Pois é, mãe, a gente não se esqueceu de seu aniversário. E aproveitando a data, quero dizer que gostaria de lhe dar uma abraço muito apertado, cheio de amor - o abraço que nunca lhe dei em vida. E agradecer por tantas coisas boas que você nos deu a todos, filhos e netos - e todos nos lembramos de você com muita saudade.
Feliz aniversário, mãe querida!




"MEDO  SEM  RAZÃO


 SÉCULOS  DE  OPRESSÃO  CALARAM  MINHA  HUMANIDADE"


"Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor do nosso jardim
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores, 
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia, 
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada."
(Eduardo Alves da Costa)

terça-feira, 29 de julho de 2014

JAPÃO  

DA  PROSPERIDADE À RECESSÃO

A Segunda Guerra Mundial deixou em ruínas a economia japonesa: em 1946, por exemplo, a produção industrial do país caiu para um sétimo do que fora em 1941. Mas o auxílio estadunidense (incluindo os gastos durante a ocupação militar), aliado ao esforço dos próprios japoneses, garantiu a recuperação econômica. O início da Guerra da Coreia (1950-1953) também ajudou nesse processo, pois foram crescentes as encomendas às indústrias japonesas no período. Conhecida como “milagre japonês”, a recuperação da economia se apoiou principalmente no rápido desenvolvimento de setores industriais, como a construção naval e a produção de equipamentos eletrônicos e fotográficos. Mas setores tradicionais, como a indústria têxtil e a siderúrgica, também cresceram.


Em menos de vinte anos, o Japão não só conseguiu alcançar os mais adiantados países ocidentais, como também chegou a ultrapassá-los. Na década de 1960, superou os suíços na produção de relógios e os alemães na produção de aparelhos fotográficos. Na década de 1980, deixou para trás os Estados Unidos na produção de aço, robôs e automóveis. Em 1997, seu PIB se tornou o dobro do PIB da Alemanha e o segundo maior do mundo - atrás apenas dos Estados Unidos. (Em 2010, o PIB do Japão foi superado pelo da China, que se tornou, portanto, a segunda maior economia do mundo.)
Uma das características do modelo econômico japonês foi a intervenção do Estado na coordenação e na implementação de projetos nacionais de desenvolvimento. As autoridades estatais passaram a orientar e coordenar as empresas, ajudando-as com políticas de comércio, tecnologia e crédito. Com esse apoio, as empresas se capacitaram para competir com sucesso no mercado mundial.
Ao mesmo tempo, o país deixou de ter gastos militares, já que os termos da rendição de 1945 para os estadunidenses proibiam a reorganização das forças armadas. Isso permitiu ao Estado japonês canalizar os saldos favoráveis de sua balança comercial tanto para investimentos produtivos quanto para o aumento dos salários reais, melhorando o padrão de vida da população. Esse processo foi acompanhado de elevados investimentos em pesquisas tecnológicas. Em consequência, o Japão conseguiu assumir uma posição de liderança nos setores de tecnologia da informação, no momento em que estes se tornavam essenciais na economia globalizada.
Mas nenhuma explicação do “milagre japonês” estará completa se não se levarem em conta as características peculiares do seu sistema de trabalho. Eis algumas delas:
·        o trabalhador japonês é solidário com a empresa onde trabalha, com a qual tem um pacto: ele se compromete a permanecer fiel à empresa durante toda sua vida ativa e a empresa se compromete a não demiti-lo;
·        o salário se compõe de duas partes — uma fixa, outra variável. Esta última depende dos resultados econômicos obtidos pela empresa. Os sindicatos acompanham com atenção os índices de aumento da produtividade e dos lucros e negociam com os patrões o montante adicional do salário a ser pago;
·        quando decidem pressionar os patrões, os trabalhadores japoneses primeiramente recorrem a um ato simbólico, que pode consistir, por exemplo, na colocação de uma faixa em torno da cabeça. Apenas nos casos mais graves eles entram efetivamente em greve, com a paralisação do trabalho.
Essas características das relações de trabalho no Japão levam o trabalhador a se sentir uma espécie de “sócio menor” da empresa, comprometido com seu sucesso. Para isso, ele é capaz de fazer sacrifícios, que chegam ao extremo da redução voluntária dos dias de descanso.
Depois de mais de trinta anos de crescimento quase ininterrupto, no fim da década de 1980 a economia japonesa começou a apresentar sinais de esgotamento e rapidamente caminhou para a recessão, quer dizer, uma redução acentuada das atividades econômicas.



A QUEDA DA MONARQUIA 

A expulsão da família imperial  do Brasil


A queda da Monarquia, de imediato, não teve oposição. Mas os republicanos temiam que pudesse haver alguma reação dos monarquistas (o que de fato ocorreria alguns anos mais tarde). Por isso, uma das primeiras medidas do Governo Provisório foi o decreto do dia 16 de novembro, estipulando o prazo de vinte e quatro horas para que D. Pedro II e sua família deixassem o Brasil. Sem oferecer nenhuma resistência, na madrugada do dia 17, a família imperial acatou a ordem de expulsão e partiu para a Europa. D. Pedro II faleceu em Paris, no dia 5 de dezembro de 1891, três dias depois de completar sessenta e seis anos de idade.

A última fotografia da família imperial no Brasil, 1889

PLEBISCITO NO BRASIL, EM 1993
Vitória da República e do Presidencialismo

Em 1993, realizou-se no Brasil um plebiscito, isto é, uma consulta popular. O povo foi chamado a comparecer às urnas para escolher a forma de governo e o sistema de governo que preferia para o país. Quanto ao primeiro item, o eleitor devia dizer se queria a permanência da República ou a volta da Monarquia. Quanto ao segundo, o eleitor devia escolher entre o presidencialismo e o parlamentarismo. A decisão de fazer o plebiscito era uma forma de cumprir uma promessa feita mais de um século antes, pelos líderes da proclamação da República, em 1889.

Cédula utilizada no plebiscito de 1993

E qual é a diferença entre República e Monarquia? De um ponto de vista técnico, a diferença é que a primeira tem um presidente eletivo e periódico, enquanto a segunda se caracteriza por ter um governante hereditário e vitalício (rei, imperador, príncipe, etc.). Na Monarquia, apenas os membros da família real podem aspirar ao trono, já na República, está implícita a idéia de que nenhum cidadão é portador de privilégio. Por isso que se pode dizer que a República é coisa do povo.
Quanto à etimologia, palavra República vem do latim res publica e significa coisa pública. Ela foi criada pelos romanos para designar a forma de governo instituída em 509 a.C., quando os habitantes de Roma expulsaram o último rei, Tarquínio, o Soberbo, por estar abusando do poder. Substituíram, então, a Monarquia pela República, querendo dizer que o governo passava a ser coisa do povo e não do rei.
Muito tempo depois, já no século 18, foi a vez dos colonos ingleses da América do Norte fazerem a opção pela forma republicana de governo, quando proclamaram a independência e constituíram os Estados Unidos da América. Em seguida, essa foi também a forma de governo adotada na França e nos novos países surgidos na América Latina. E, em 1889, finalmente no Brasil.

GUERRA DO PARAGUAI

II – Segunda parte: as causas do conflito

Não é fácil explicar os porquês dessa guerra. Mas podemos começar dizendo que até 1864 o Brasil mantinha relações normais com o governo paraguaio, dirigido por Francisco Solano López. Sabemos que as hostilidades foram iniciadas pelo próprio governo paraguaio. Podemos admitir que Solano López tinha como certo que, mais cedo ou mais tarde, haveria uma guerra com os vizinhos e para ela ele vinha se preparando, de maneira silenciosa mas decidida. E foi a intervenção do Brasil no Uruguai que o fez vislumbrar que a hora havia chegado.
De fato, ainda em junho de 1864, o ministro das Relações Exteriores do Paraguai enviara notas tanto para José Antônio Saraiva, que se achava em missão diplomática junto ao governo do Uruguai, quanto para o governo brasileiro, oferecendo a mediação de López para a solução do litígio entre o Brasil e o Uruguai. Em resposta datada de 24 de junho, Saraiva dispensou a oferta do ministro paraguaio, alegando que esperava resolver diretamente os problemas com o governo de Aguirre.


No final de agosto, o governo paraguaio manifestou-se novamente. Desta vez para protestar contra o ultimatum de Saraiva, e contra qualquer ocupação do território uruguaio por tropas brasileiras. Uma medida como essa seria considerada “como atentatória do equilíbrio dos Estados do Prata, que interessa à República do Paraguai”. Novo protesto foi feito no mês seguinte. Como nenhum deles foi atendido, López decidiu iniciar as hostilidades contra o Brasil: no dia 11 de novembro, capturou, nas imediações de Assunção, o navio brasileiro Marquês de Olinda. A bordo se achava o novo governador da província do Mato Grosso, Frederico Carneiro de Campos, e estava a caminho para assumir o cargo. Ele foi feito prisioneiro (viria a morrer numa prisão paraguaia), bem como os demais passageiros e toda a tripulação do navio. Em seguida, o embaixador brasileiro recebeu uma carta em que o governo paraguaio comunicava o rompimento das relações com o Brasil.
No mês de dezembro, López ordenou a invasão do Mato Grosso. Suas tropas não tiveram dificuldade para ocupar e saquear uma grande parte do sul da província, até Corumbá. No mês seguinte, López solicitou ao governo argentino autorização para atravessar o território daquele país para atacar o sul do Brasil. Seu objetivo era unir-se aos blancos do Uruguai. O presidente argentino, Bartolomeu Mitre, negou a autorização, declarando-se neutro. Diante disso, no mês de abril, López ordenou a invasão da província argentina de Corrientes por um exército de 25 mil homens, capturando dois navios e ocupando a cidade do mesmo nome.
Em face dessa agressão, Mitre decidiu abandonar a neutralidade, e o Brasil pôde então contar com o apoio da Argentina, e também do Uruguai, em cujo governo agora se encontrava Venâncio flores, que, como vimos no texto anterior, era aliado brasileiro. No dia 1º. de maio de 1865, os três países assinaram o Tratado da Tríplice Aliança para fazer a guerra contra Solano López. Os objetivos textualmente expressos nesse tratado eram: 1) derrubar Solano López; 2) acertar definitivamente as questões de fronteira ainda pendentes com o Paraguai; 3) assegurar a livre navegação dos rios Paraná e Paraguai.

Bartolomeu Mitre
Acreditava-se naquele momento que a guerra seria rápida. Os dois lados tinha essa convicção. López estava otimista: tinha uma confiança ilimitada no soldado paraguaio e não acreditava no poder militar do Brasil. Por outro lado, o otimismo dos aliados (Tríplice Aliança) pode ser avaliado pela proclamação de Mitre ao falar a uma multidão em Buenos Aires, no dia 16 de abril: “Em 24 horas aos quartéis, em três semanas em Corrientes, em três meses em Assunção”.

Mas as coisas aconteceram de maneira totalmente diferente. Somente um ano depois, em abril de 1866, os aliados conseguiram por os pés em território paraguaio. E levaram outros três anos para avançar até Assunção, e mais um ano para encerrar a guerra, o que se deu no dia 1º. de março de 1870, com a morte de Solano López.
Durante a guerra, o Brasil dobrou sua frota naval, passando de 45 para 94 navios de guerra. Além das forças navais, organizou três corpos de Exército. O primeiro Corpo do Exército foi aquele que realizou a intervenção no Uruguai, e dali passou para o território argentino. Foi durante muito tempo comandado pelo general Manuel Luís Osório. O Segundo Terceiro  Corpo.

O número de homens em armas aumentou rapidamente. Ao iniciar a campanha contra o Paraguai, o Brasil contava com 10.857 soldados. Na travessia do Passo da Pátria (divisa entre Argentina e Paraguai, esse número havia subido para 33.122 homens, alcançou 45.283 em agosto de 1867 e chegou ao total de 48,5 mil, em maio de 1868. No decurso dos 5 anos da guerra, foi preciso mobilizar cerca de 200 mil homens. Desses, 139 mil foram levados para os campos de combate, sendo que 33 mil morreram, principalmente de doenças . Muitos, recrutados à força, preferiam desertar, originando o refrão “Deus é grande, mas o mato é maior”, que o senso de humor característico de nossa gente logo cunhou.
A guerra, que todos imaginavam rápida, consumiu cinco longos anos. Como os demais envolvidos, o Brasil fez um grande esforço para armar, municiar, alimentar, vestir e dar assistência médica aos seus soldados. Esse esforço implicou em despesas enormes. Uma parte das despesas –cerca de 10%  - foram cobertas por dois empréstimos externos, ambos tomados aos ingleses. O primeiro, no início da guerra, no valor de 5 milhões de libras esterlinas. O segundo, no final da guerra, no valor de 3 milhões de libras, e se destinava a liquidar as despesas deixadas pelo conflito. O restante das despesas –cerca de 90% - foi coberto com recursos obtidos internamente, principalmente através do aumento dos impostos.
Tantas despesas, porém, não chegaram a alavancar um crescimento industrial do país, porquanto quase tudo foi importado. Mas houve que visse um lado positivo na guerra. Na opinião do Visconde de Ouro Preto: “Os sacrifícios foram grandes, mas [...] diversos serviços públicos importantes como estradas de ferro, telégrafos elétricos, colonização, navegação, etc., tiveram notável desenvolvimento. O comércio de importação e exportação cresceu mais de 30%”.