quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

ÁFRICA: das  origens  ao  contato  com  os  europeus


 O início de tudo
Evidências arqueológicas indicam que foi na África que surgiram os antepassados da espécie humana. Isso teria acontecido há pelo menos 7 milhões de anos. Muitos milênios depois, inúmeros indivíduos da espécie homo sapiens (os humanos modernos) migraram do continente africano e povoaram o planeta. Portanto, todos nós somos descendentes de povos da África.


A partir do século XVI, foi também de lá que saiu grande parte de pessoas trazidas à força para trabalhar como escravos no Brasil e em outras partes do Novo Mundo. Esse destino foi imposto a aproximadamente 11 milhões de pessoas.
Os afrodescendentes formam, hoje, uma grande parcela da população das Américas, sendo o Brasil o país com a maior população negra fora da África.


2. A paisagem africana
A África é o terceiro maior continente do planeta, contando com 30,2 milhões de quilômetros quadrados. Apenas um décimo dessa área é aproveitável para a agricultura. Grande parte do território é ocupada pelos desertos do Saara e de Kalahari, cabendo às savanas e estepes uma área um pouco menor. As florestas que ainda restam estão concentradas na parte centro-oeste do continente. O Saara (palavra derivada do árabe sahr, que significa “deserto”) divide o continente em duas porções bastante distintas: a África do Norte e a África Subsaariana.
O Saara, entretanto, nem sempre foi um deserto. A paisagem árida que existe hoje começou a se formar há cerca de 6 mil anos, em virtude de mudanças climáticas. Rios e lagos secaram. Restaram uns poucos oásis que tornam possíveis a vida e o trânsito de pessoas no deserto.
Muitas pessoas que moravam na região tiveram de procurar outros lugares para viver. Um dos destinos tomados foi o Vale do Rio Nilo, que se tornou a primeira região plenamente produtora de alimentos da África. Outro lugar foi a região de savana ao sul do Saara. Essa região é percorrida pelo Sael (de sahel, palavra árabe que significa “costa” ou “fronteira”). O Sael geralmente é mencionado pelo nome de Sudão (não confundir com o país do mesmo nome). Esse nome é derivado de Bilad al-sudam, expressão árabe que significa “terra de negros”. Atualmente, vivem ali vários milhões de pessoas, distribuídas por diversos países.

3. Muitos povos e culturas
Uma em cada quatro línguas faladas no mundo é encontrada apenas na África. O continente apresenta, portanto, uma grande variedade de línguas, fato que tem despertado a atenção de estudiosos desde meados do século XIX. Disso resultou mais de uma forma de classificar as línguas africanas, sendo a mais aceita a que reúne essas línguas em quatro famílias principais.
No norte da África, no Saara e no Sael predominam as famílias afro-asiática e nilo-saariana. Nesse grupo está incluído, por exemplo, o árabe – dos berberes –, a língua mais falada no norte da África. Uma terceira família é chamada khoisan (ou coisán), que hoje tem falantes vivendo em uma área restrita no sul do continente. E a quarta família, denominada níger-congo, inclui as línguas do grupo banto faladas por grande parte dos povos que vivem ao sul do Deserto do Saara.
Existem ainda as línguas trazidas para a África pelos colonizadores europeus. Como consequência, a maior parte dos países africanos adotou, entre as línguas consideradas oficiais, uma língua europeia, evidentemente aquela do país colonizador.
Além das línguas europeias, há duas outras que são consideradas línguas não africanas. Uma delas é o africâner, que se desenvolveu na colonização iniciada pelos holandeses no sul da África, no século XVII, e hoje é uma das línguas oficiais da África do Sul. Outra é o malgaxe, originária da Ásia e falada por moradores da Ilha de Madagascar.

4. Árabes na África oriental
Enquanto isso, comerciantes árabes levaram a influência muçulmana para a costa oriental da África, atraídos pelo comércio nessa região. Navegando pelo Oceano Índico, frequentavam essa porção da África em busca de ouro, marfim, ferro e madeiras raras.
Mais tarde, começaram também a comerciar africanos como escravos, que eram levados para a Península Arábica e para regiões ainda mais distantes. Em troca, forneciam para os povos africanos tecidos de algodão e de seda, enfeites, pérolas, porcelanas, drogas medicinais e perfumes, entre outros produtos trazidos da Pérsia, da Índia e da China.
Do prolongado contato entre os povos nativos de cultura banto e os árabes surgiu o suaíli, um idioma que passou a ser falado de modo geral na costa oriental da África.
Por causa do comércio, surgiram importantes cidades nessa região. Eram controladas pelos árabes, mas ali também chegavam persas, indianos e até chineses. De fato, entre 1417 e 1419, as pessoas que viviam na região tiveram a oportunidade de ver de perto os enormes navios da marinha chinesa comandados pelo almirante Zheng He (ver texto referente à civilização chinesa neste blog).
A atividade comercial era a principal ocupação de seus habitantes, destacando-se as cidades de Melind, Mogadíscio, Mombaça, Zanzibar e, mais ao sul, Sofala (que hoje pertence a Moçambique). A riqueza dessas localidades impressionou o navegante português Vasco da Gama, que chegou à região em 1498, a caminho da Índia.

5 Portugueses na costa leste
Na disputa com os árabes pelo comércio na costa oriental da África, os portugueses levaram a melhor. Depois de chegarem a Sofala, eles estabeleceram o controle não só sobre o Reino de Monomotapa, mas também sobre toda a região que se estendia até o litoral. Essa parte da África era habitada por povos pertencentes à cultura banto, que viviam da agricultura e dominavam a metalurgia do ferro. O viajante árabe Al-Massudi, que ali esteve no século X, ficou impressionado com a qualidade dos produtos de ferro que esses povos produziam e forneciam para as cidades do litoral.
Os portugueses dominaram essa região e aí fundaram a colônia de Moçambique, de onde saiu, nos séculos seguintes, uma parte dos africanos escravizados trazidos para o Brasil.

6 Civilizações da África ocidental
O outro lado da África, a África ocidental, é também chamada Sudão ocidental. É uma região semiárida, que forma uma faixa intermediária entre o deserto, ao norte, e a região de floresta, ao sul.
Essa parte da África diferia bastante da costa leste. Era mais densamente povoada e a população se distribuía por uma variedade maior de povos, convivendo de maneira muito próxima. Havia uma tradição muito antiga e igualmente forte de vida urbana e pouca ligação com o mar: suas atividades eram voltadas para o interior.
Por esse motivo, os rios da região, principalmente o Senegal e o Níger, eram fundamentais. Eles banhavam uma ampla área de terras. A população vivia do cultivo e da criação de gado e também das atividades tradicionais: caça, pesca e coleta. Os artesãos eram responsáveis por uma refinada produção de tecidos, cerâmica, artigos de couro e de metal (cobre, bronze, ferro e ouro). A produção de excedentes e a facilidade de transporte por terra ou pelos rios estimularam as trocas.
Com isso, o comércio cresceu, favorecido também pela presença de minas de ouro na região. Surgiram cidades importantes, como Jena, Gaô e Tombouctou, localizadas nas proximidades do Rio Níger e do deserto do Saara.
A localização privilegiada fez dessas cidades centros comerciais que estavam em contato com a África, com o mundo muçulmano e com a Europa. comércio envolvia produtos de diferentes procedências. Do norte, por exemplo, vinham sal, tecidos, armas e utensílios de metal. Entre os produtos provenientes do sul destacavam-se a noz-de-cola, marfim e trabalhadores escravizados. Além desses, havia ainda os produtos da própria região sudanesa, entre os quais se destacavam artigos de artesanato, grãos e principalmente ouro. Este, na maior parte, seguia para a Europa, cada vez mais ávida por metais preciosos, por causa do crescimento do comércio e das cidades.
A partir do século IX, com as caravanas provenientes do norte, teve início a influência muçulmana. A nova religião foi assimilada primeiramente por alguns monarcas, que obrigaram seus súditos a também segui-la.

7. Organização social e política
Entre os povos da África ocidental, a aldeia era a base de toda a organização da sociedade. Nas aldeias, a população se dividia em clãs, ou seja, em grandes comunidades ligadas por parentesco.
Cada clã tinha seu chefe, ou patriarca, que decidia quem poderia utilizar a terra da aldeia. A terra era trabalhada principalmente pelas mulheres. A força do patriarca se apoiava no controle dos meios de produção e no acesso ao maior número de esposas, pois delas dependia a capacidade de formar uma família numerosa. A poligamia era também símbolo de prestígio. O poder do patriarca ainda podia ser aumentado pela agregação de parentes e pela incorporação de escravos, de preferência do sexo feminino, por sua função reprodutora.
Os chefes dos clãs, por sua vez, subordinavam-se ao chefe da aldeia. A aldeia era como um Estado em miniatura. Seu chefe era um verdadeiro governante, exercendo o poder na paz e na guerra. Era o responsável pelo bem-estar de todos e devia manter a aldeia unida e em harmonia.
Em troca, tinha direito de receber uma parte do que as pessoas da aldeia produziam. O chefe da aldeia era uma figura muito poderosa, mas seu poder não era absoluto. Nas decisões mais importantes, ele tinha de reunir o conselho formado pelos líderes dos clãs. Frequentemente, grupos de aldeias se uniam e formavam reinos, cada qual com sua capital e seu rei. Por isso, havia uma quantidade muito grande de reinos, em geral pequenos. Algumas vezes, um ou outro desses reinos se destacava e dominava vários outros, formando impérios de grandes dimensões. É o caso de Gana, do Mali e de Songai, que veremos a seguir.

8. Grandes Estados da África ocidental: Gana, Mali e Songai

1)    Gana
Foi o primeiro império que se formou nessa parte da África, fundado por volta do ano 300 d.C. Segundo relato do viajante árabe Ibn Batuta, no século XIV, o nome Gana se originou do título que era dado ao rei que governava esse Estado. Localizava-se ao norte do país que atualmente tem esse nome, entre o Deserto do Saara e os rios Senegal e Níger. Sua numerosa população vivia principalmente da agricultura e da pecuária, mas a riqueza do reino provinha especialmente do comércio e da produção de ouro. Um viajante árabe que aí esteve no século X referiu-se ao rei de Gana como “o mais rico do mundo por causa do ouro” (IBN HAWKAL, In: KI-ZERBO, Joseph. História da África negra. 2. ed. Lisboa: Publicações Europa-América, 1979. p. 133. v. 1.).
No século XIII, depois de vários séculos de existência, o poderio de Gana já se achava enfraquecido, e o reino foi absorvido por um Estado vizinho, o Mali (que não corresponde ao país que hoje tem esse nome). Sobre esse reino existem muitas informações históricas graças, em parte, aos relatos de Ibn Batuta.

2)    Mali
Sabe-se que o fundador do Império Mali foi um guerreiro chamado Sundiata, que reinou entre 1230 e 1255, aproximadamente. Tinha o título de mansa, que quer dizer “imperador”. O mais célebre dos imperadores do Mali, entretanto, não foi ele, mas sim Mansa Moussa, que governou entre 1312 e 1332. Seguidor do islamismo, fez uma peregrinação a Meca e mandou construir uma grande mesquita na cidade de Tombouctou. Sua fama de governante rico era conhecida em todo o mundo árabe e chegou até a Europa.
No século XV, porém, o poderio de Mali entrou em decadência, e grande parte de seu território foi absorvida por um forte império, que teve como capital a cidade de Gaô. Ficou conhecido por Império Songai (o nome de seu povo) e ocupou um território ainda maior do que os dois anteriores.

3)    Império Songai
O novo império teve como fundador Mohamed I, que assumiu o poder em 1493 e governou na época de maior prosperidade do império. Exercia o governo por meio de uma complexa administração, com departamentos para a agricultura, o exército e as finanças. Mohamed I era também um muçulmano devoto. Ao assumir o poder realizou uma peregrinação a Meca e, além disso, fundou escolas religiosas, construiu mesquitas e abriu sua corte a estudiosos e poetas vindos de diversas partes do mundo islâmico.
Os dias de glória de Songai duraram até o final do século XVI. Debilitado por lutas internas, as forças do império foram facilmente derrotadas pelos exércitos enviados do norte pelo sultão do Marrocos. Esses exércitos, dotados de armas de fogo, invadiram e saquearam as grandes cidades de Songai. O império não resistiu e desapareceu, encerrando a terceira tentativa de construir um grande Estado no Sudão ocidental.

10. O grande Reino do Congo
Em 1482, o navegante português Diogo Cão chegou à foz do Rio Congo. Ali, entrou em contato com um dos Estados africanos mais extensos que havia ao sul do Saara. Era o Reino do Congo, pertencente à cultura banto, que exercia autoridade sobre vários pequenos reinos. Nove anos depois, uma comitiva de portugueses foi até a capital do reino, que ficava a cerca de dez dias de caminhada a partir da costa. Lá foi recebida festivamente por Mani-Congo, como era chamado o rei congolês. Da comitiva faziam parte missionários cristãos, carpinteiros e outros artesãos especializados. No contato com os portugueses, o Mani-Congo e seus familiares e alguns chefes se converteram ao cristianismo. Um dos convertidos, Nzinga Mbemba, mais tarde tornou-se rei, com o título de Alfonso I, e governou entre 1507 e 1542.
Adotou o catolicismo como religião oficial do reino e mudou o nome da capital para São Salvador.
Mas o Reino do Congo não durou muito tempo após a morte de Alfonso I. Depois de guerras internas e ataques externos, dividiu-se em vários pequenos Estados autônomos.
Enquanto isso, os portugueses mudaram de atitude: em vez de formar cristãos, eles começaram a dar maior importância para o comércio de escravos. 
Subordinado ao rei do Congo encontrava-se o Reino de Ngola, nome que os portugueses adaptaram para Angola, de onde retiraram uma grande parte dos escravos que traficaram.

11. A escravização na África antes dos europeus
Na Antiguidade, a escravização existia entre os egípcios, mesopotâmicos, chineses, hebreus, gregos, romanos... A África não foi diferente. Entre os povos africanos,  prevalecia uma escravização que os historiadores chamaram de “familiar”.
Nesse tipo de escravização, a pessoa que perdia sua liberdade passava a fazer parte do clã que a recebia. O que ela tinha de fazer? Praticamente as mesmas coisas que os outros membros do grupo: entre outras, trabalhar no campo, participar das expedições de caça, defender a cidade e tomar parte nas cerimônias religiosas. Com o tempo, o escravizado, ou seu descendente, acabava sendo aceito como membro efetivo da comunidade, tornando-se livre.
Quanto mais gente fazia parte do clã, maior eram o poder e a influência de seu chefe. Com escravizados, o clã ficava mais numeroso. Sempre que possível, os chefes preferiam adquirir escravizados do sexo feminino. É que as mulheres, além de proporcionar mão de obra, geravam filhos, e com isso o clã crescia ainda mais.
Como alguém se tornava escravizado? Havia diversas formas. Uma delas era quando uma família não tinha recursos suficientes para sobreviver, daí vendia um ou mais de seus membros. Com isso, o grupo obtinha recursos e ao mesmo tempo reduzia o número de pessoas para alimentar.
Se alguém tinha dívidas e não pagava podia ser escravizado até que o pagamento fosse realizado. Nesse caso, o próprio devedor é quem ficava como garantia. Tornar-se escravizado também podia ser uma forma de punição por delitos considerados graves na comunidade, como adultério, assassinato etc. Havia também casos de famílias inteiras que, por falta de recursos, aceitavam a escravização.
Talvez o modo mais frequente de adquirir escravos tenha sido a guerra entre os próprios povos africanos. Em geral, os que caíam prisioneiros durante os combates eram escravizados.
Muitos deles eram aproveitados no sistema de escravidão familiar. Outros tinham menos sorte e eram vendidos para mercadores de escravos.

12. A chegada dos portugueses, dos holandeses e dos franceses à África

Antes do século XV, o comércio de escravos nunca havia sido muito grande e não chegava a provocar impacto significativo na vida dos povos africanos. A situação começou a mudar drasticamente com a chegada dos portugueses.
Desde o Tratado de Tordesilhas (1494), celebrado entre os governos de Portugal e Espanha – com a aprovação do papa –, o litoral africano pertencia aos portugueses, que dali levavam ouro, marfim e pimenta, entre outros produtos. Porém, o negócio que mais cresceu foi o comércio de escravos.
Com a colonização da América, cresceu a procura por mão de obra escrava e, com isso, o tráfico negreiro tornou-se objeto de intensa disputa. Os primeiros competidores dos portugueses foram os holandeses. Em 1637, eles tomaram dos portugueses a fortaleza de São Jorge da Mina e, em seguida, conquistaram também Angola e outros territórios do litoral africano. Com o fim da União Ibérica, em 1640, Portugal retomou com força as atividades coloniais e conseguiu recuperar parte de seus domínios africanos. Na mesma época, a colonização europeia se expandia em todo o continente americano, fazendo crescer ainda mais a demanda por escravos. O negócio passou, então, a ser explorado por traficantes de várias nacionalidades. Os principais eram europeus (portugueses, franceses, ingleses, dinamarqueses etc.), mas também havia traficantes que partiam do Brasil e das colônias inglesas da América do Norte.
Até meados do século XIX, quando o tráfico foi abolido, estima-se que mais de 11 milhões de africanos escravizados cruzaram o Atlântico com destino ao Novo Mundo. Se considerarmos que a maioria dos escravizados era constituída de homens e mulheres jovens, escolhidos entre os mais sadios e robustos, é preciso concluir que essa “sangria” representou um desastre demográfico para as sociedades africanas e, certamente, prejudicou o desenvolvimento natural dos povos do continente africano

13. Islamismo e cristianismo na África
As duas crenças religiosas predominantes na África hoje são o islamismo e o cristianismo. O islamismo se difundiu no continente por três pontos. Um deles foi o norte do continente (da Líbia ao Marrocos, região chamada de Magreb em árabe). Os portadores dessa cultura religiosa foram populações islamizadas, particularmente os berberes, que, motivados pelo comércio, atravessaram o Saara e chegaram à África ocidental.
O segundo ponto de difusão partiu do Egito, de onde os árabes, seguindo o Nilo, avançaram para o sul e ocuparam a Núbia (atual Sudão).
O terceiro caminho coube a marinheiros e comerciantes originários da Península Arábica. Eles fundaram cidades na costa leste do continente africano que funcionaram como pontos de difusão do islamismo para o interior. O terceiro caminho coube a marinheiros e comerciantes originários da Península Arábica. Eles fundaram cidades na costa leste do continente africano que funcionaram como pontos de difusão do islamismo para o interior.
O islamismo se tornou a religião dominante na parte da África acima da linha do Equador. Isso representa cerca de um terço da população de todo o continente e de um quarto do total de seguidores do islamismo em todo o mundo.

O cristianismo, por sua vez, chegou à África desde seu início, espalhando-se pelo norte do continente e chegando também à atual Etiópia. Entretanto, a partir do século VII, o cristianismo recuou na África por causa do avanço do islamismo. Uma nova investida do cristianismo somente teve início no século XV, quando os portugueses chegaram à África Subsaariana.
A primeira vitória do cristianismo foi a conversão do rei do Congo. No interior do continente, entretanto, as populações continuaram com suas crenças tradicionais até o século XIX, quando teve início o esforço missionário como parte da ocupação sistemática da África pelos colonizadores europeus. Hoje, o cristianismo é a crença religiosa dominante na África abaixo da linha do Equador.
Muitas comunidades africanas, porém, não se converteram a nenhuma das duas grandes religiões monoteístas, conservando suas crenças religiosas milenares – chamadas religiões tradicionais.
Elas também estão presentes no Brasil por meio do candomblé (a religião dos iorubas que foi trazida para o Brasil por membros dessa nação) e da umbanda (originada no Brasil pela mistura de tradições africanas, indígenas e católicas).


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

ALIMENTOS  QUE  VIAJARAM  ENTRE  A  ÁFRICA  E  A  AMÉRICA

  Os africanos escravizados, além de terem contribuído com seu trabalho para construir as colônias da América, fazendo-as render, deixaram uma contribuição enorme no terreno da cultura, especialmente na música e na dança. Isso já é bem sabido. Hoje, porém, pesquisas botânicas e históricas revelam que sua contribuição foi ainda maior: eles trouxeram consigo diversas plantas, que entraram no cardápio dos habitantes da América.

O sorgo, o quiabo, o feijão-macassar, o gergelim, o dendê, a pimenta-malagueta, o tamarindo, o milhete e várias outras plantas vieram com os africanos. Até uma variedade de arroz originário da África (espécie Oryza glaberrima) foi cultivada nas Américas, inclusive no Brasil, mas depois foi substituída pelo arroz de origem asiática.

Em sentido inverso, várias espécies vegetais foram levadas da América para a África. Fizeram esse percurso o milho, a batata-doce, amendoim, cacau e diversos outros alimentos, com destaque para a mandioca, que hoje é cultivada do sul do Saara até o sul de Angola e Moçambique.

(Veja mais em: https://super.abril.com.br/historia/as-plantas-viajantes-a-imigracao-dos-alimentos-pelos-mares/)
NOK,  UMA  INTERESSANTE  CULTURA  AFRICANA


Os povos do oeste africano foram capazes de criar e desenvolver técnicas artesanais e artísticas muito elaboradas. As estátuas em terracota e o trabalho em metal, madeira, marfim, ouro, tecidos e vidro dessa região eram admirados em toda a África Subsaariana.

Historiadores consideram que essa requintada tradição era herdeira da surpreendente cultura nok, a mais antiga sociedade agrícola, até agora conhecida, que existiu na África Subsaariana. Graças ao trabalho dos arqueólogos, sabemos que essa civilização durou mais de mil anos, entre os séculos VI a.C. e VI da Era Cristã, sem que se conheçam as razões de seu desaparecimento.

Ela recebeu esse nome porque é assim que se chama a localidade onde objetos artísticos, foram encontrados machados e outros instrumentos de pedra polida. Entre os achados que correspondem aos últimos 300 anos de sua história, foram encontrados também utensílios de ferro. Deduziu-se então que a civilização nok pertenceu à época em que teve início a Idade do Ferro na África Subsaariana.



sábado, 6 de janeiro de 2018

GRANDES  PENSADORES  DA ANTIGA CHINA


Numa  época  em  que  a  China vivia a agitação causada pelas guerras entre os reinos,  fase que ficou conhecida por Período dos Reinos Combatentes, viveram naquele território importantes pensadores, sendo os mais influentes Laozi e Confúcio, criadores do taoismo e do confucionismo, respectivamente.

O taoísmo
Segundo a tradição, Lao-Tsé (que signifi ca “velho mestre”) foi o fundador do taoísmo. Ele era contemporâneo de Confúcio, embora fosse um pouco mais velho. O texto taoista mais conhecido intitula-se Tao Te Ching, ou “Livro do Caminho e da Virtude”, e sua autoria é atribuída a Lao-Tsé.
A palavra chinesa Tao, que compõe o termo “taoismo”, quer dizer “caminho”. Os taoistas defendem a moderação dos desejos, pois quando são numerosos e intensos causam perturbação.
Acreditam que todas as coisas e todos os seres têm um caminho, que é o natural, e, para seguir esse caminho, a pessoa não deve se restringir a normas; ao contrário, ela deve aceitar a ordem natural das coisas, sem resistência.
Esse ponto mostra a radical diferença que separa o taoismo do confucionismo.

O confucionismo
Confúcio foi o responsável por um conjunto de princípios filosóficos e morais que serviu de norma de comportamento para os chineses por mais de dois mil anos. Com o tempo, o confucionismo passou a ser visto também como uma religião, e templos dedicados a Confúcio foram erguidos em vários países da Ásia oriental.
Confúcio

Confúcio, nascido em 551 a.C., pertencia a uma família nobre, embora empobrecida, e desde muito jovem voltou-se para os estudos. “Aos 15 anos, dediquei-me de coração a aprender”, escreveu ele. Era considerado um dos homens mais sábios de seu tempo. Quando adulto, ocupou cargos no reino onde vivia e depois passou muitos anos viajando por vários outros reinos, oferecendo seus conselhos aos senhores locais. Aos 68 anos, retornou para sua terra e passou a dedicar-se ao ensino.
Faleceu em 479 a.C. Seus discípulos reuniram seus ensinamentos na obra Analectos (palavra grega que designa uma coleção de escritos ou ditos célebres).
As ideias básicas do confucionismo destacam a importância da educação, o respeito aos mais velhos, a ideia de que o homem pode se aperfeiçoar, a obrigação de cada um cumprir seus deveres e, para o governante, o dever moral de dar o bom exemplo. Confúcio ensinava que um governante deveria esforçar-se para oferecer paz e prosperidade ao povo. Se não alcançasse esse objetivo, poderia ser substituído. Embora recomendasse obediência aos superiores, Confúcio admitia a derrubada de um governo que tivesse conduta indigna — uma ideia que estava de acordo com o conceito do Mandato Celestial. Também ensinava que o bom governante devia estimular a educação, promover uma sociedade justa e nomear pessoas capazes para os cargos mais importantes, sem se preocupar com a origem social delas. Essa recomendação foi, mais tarde, acatada ao ser implantado o sistema de exames para selecionar os funcionários do governo chinês.
Depois que a república foi proclamada, em 1912, o confucionismo, considerado uma doutrina conservadora, foi abandonado como filosofia oficial pelo governo chinês.
A  CIVILIZAÇÃO  CHINESA (Parte I)


 Em  2008,  os  Jogos  Olímpicos  foram realizados na China. Foi uma oportunidade especial para que pessoas de todo o mundo pudessem ver, pela TV, imagens de um país fascinante, que apenas recentemente começou a se abrir. Na China, quase tudo é grande. Seu território, com 9,6 milhões de km², é pouco maior que o do Brasil, mas sua população, de mais de 1,3 bilhão de habitantes em 2015, é quase sete vezes maior que a população do Brasil no mesmo ano.


É lá que fica a Grande Muralha, uma obra iniciada há mais de 2 mil anos e que é, ainda hoje, a maior de todas as obras que a humanidade construiu. Com 6 700 km de extensão, tem distância igual à que separa as cidades de Salvador e Nova York.

Com uma história de mais de 4 mil anos, os chineses têm uma imensa experiência acumulada. Ao longo desses milênios, o povo chinês foi responsável pela invenção do compasso, do papel, da bússola e de outras descobertas de importantes para a humanidade.

2. O desenvolvimento da agricultura na China
Por volta de 10 mil anos atrás, grupos humanos que viviam da caça, da coleta e da pesca deram início à agricultura e à criação de animais aproveitando as plantas e os animais que existiam em abundância em certas regiões da China.
A agricultura possibilitou a fixação da população e o surgimento dos vilarejos mais antigos nos vales dos grandes rios chineses: o Rio Amarelo (Hoang-Ho) e o Rio Azul (Yang-Tsé-Kiang). As aldeias eram construídas sobre colinas e muitas vezes cercadas por muros de terra batida, dura como o cimento, para defendê-las dos ataques de inimigos.
A agricultura e a criação de animais garantiram uma fonte segura de alimentos. Os grãos eram estocados em jarros de cerâmica decorados com desenhos de plantas e animais. Tecidos começaram a ser confeccionados utilizando a fibra do cânhamo e também se difundiu o uso de instrumentos feitos de metal. O primeiro metal usado foi o cobre, vindo depois o bronze, que apareceu no terceiro milênio antes da Era Cristã.

3. O surgimento dos primeiros reinos chineses
No final do Neolítico, como ocorreu no Egito e em outros locais, também os chineses se organizaram politicamente, concentrando o poder nas mãos de um governante (ou mais de um, não se sabe ao certo). Os antigos chineses inventaram lendas e mitos para explicar para si mesmos a origem de sua cultura e do Estado chinês. Assim, nasceu a crença de que, em tempos passados, tinham existido reis-deuses, ou reis-sábios, de moral perfeita, que usaram seus poderes mágicos para melhorar a vida das pessoas.
Até poucas décadas atrás, os historiadores não conseguiam separar o que era lenda e o que podia ser verdadeiro a respeito dos primeiros governantes chineses. Nos últimos anos, porém, graças ao trabalho dos arqueólogos, foram descobertos muitos vestígios que permitem afirmar que, desde o terceiro milênio a.C., já havia reinos organizados no Vale do Rio Amarelo.

A dinastia Chang
O mais importante desses reinos, que deu origem ao Império Chinês, foi governado pela dinastia Chang durante quase todo o segundo milênio a.C. No  topo dessa dinastia, havia um monarca que desempenhava funções de chefe de tribo e de principal sacerdote, unindo, portanto, as funções políticas e as religiosas. Ele conduzia os rituais de adoração dos antepassados, que era um aspecto importante da religião da época.
Com isso, o monarca reforçava o prestígio de sua família e legitimava a própria autoridade. Assim, não surpreende que seu poder tenha aumentado com o passar do tempo. Seu poder pode ser avaliado por sua capacidade de recrutar um enorme contingente de trabalhadores nas obras públicas, como a construção e a reconstrução de muralhas de proteção das cidades.
Na época dos Chang foram feitas as primeiras observações astronômicas, indispensáveis para o calendário das atividades agrícolas. Foi também quando surgiu a primitiva escrita, da qual deriva a moderna escrita chinesa.
No final do segundo milênio a.C., o Império dos Chang entrou em declínio e acabou sendo conquistado pelos Chou.

A dinastia Chou
Os conquistadores Chou viviam a oeste do Estado governado pelos Chang, no Vale do Rio Wei, afluente do Rio Amarelo. Em busca de legitimidade, os novos governantes não apelaram para o tradicional culto dos ancestrais. Em vez disso, preferiram invocar o conceito de Mandato Celestial. Segundo essa noção, o rei governava por vontade de uma divindade impessoal, o Céu, e uma vez no poder devia se comportar de maneira moralmente correta.
Em contrapartida, se seus sucessores se tornassem indignos, o Céu podia retirar-lhes o mandato e confiá-lo a outro soberano, que então daria início a uma nova dinastia.
Por cerca de três séculos, o governo dos Chou foi bem sucedido, e conseguiu estender continuamente as fronteiras, incorporando novas populações à área de influência da cultura chinesa.
No século VIII a.C., o Império dos Chou começou a ser agitado por revoltas comandadas por chefes militares. Em 771 a.C., a capital foi tomada por forças que se uniram contra o rei.
O poder central se enfraqueceu, o que favoreceu a emergência de centenas de reinos, que passaram a disputar a hegemonia dentro do império. Usando da diplomacia ou da guerra, alguns reinos foram incorporando outros e, por fim, restaram apenas sete reinos: Qin, Chu, Qi, Wei, Zhao, Yan e Han.
Por causa dessas lutas, a fase final da dinastia Chou ficou conhecida por Período dos Reinos Combatentes e se encerrou em 221 a.C., seguindo-se a ascensão de uma nova dinastia.

4. Grandes pensadores chineses
Na época em que a China vivia a agitação causada pelas guerras entre os reinos, viveram naquele território importantes pensadores, sendo os mais influentes Laozi e Confúcio, criadores do taoismo e do confucionismo, respectivamente.

O taoísmo
Segundo a tradição, Lao-Tsé (que signifi ca “velho mestre”) foi o fundador do taoísmo. Ele era contemporâneo de Confúcio, embora fosse um pouco mais velho. O texto taoista mais conhecido intitula-se Tao Te Ching, ou “Livro do Caminho e da Virtude”, e sua autoria é atribuída a Lao-Tsé.
A palavra chinesa Tao, que compõe o termo “taoismo”, quer dizer “caminho”. Os taoistas defendem a moderação dos desejos, pois quando são numerosos e intensos causam perturbação.
Acreditam que todas as coisas e todos os seres têm um caminho, que é o natural, e, para seguir esse caminho, a pessoa não deve se restringir a normas; ao contrário, ela deve aceitar a ordem natural das coisas, sem resistência.
Esse ponto mostra a radical diferença que separa o taoismo do confucionismo.

O confucionismo
Confúcio foi o responsável por um conjunto de princípios filosóficos e morais que serviu de norma de comportamento para os chineses por mais de dois mil anos. Com o tempo, o confucionismo passou a ser visto também como uma religião, e templos dedicados a Confúcio foram erguidos em vários países da Ásia oriental.
Confúcio, nascido em 551 a.C., pertencia a uma família nobre, embora empobrecida, e desde muito jovem voltou-se para os estudos. “Aos 15 anos, dediquei-me de coração a aprender”, escreveu ele. Era considerado um dos homens mais sábios de seu tempo. Quando adulto, ocupou cargos no reino onde vivia e depois passou muitos anos viajando por vários outros reinos, oferecendo seus conselhos aos senhores locais. Aos 68 anos, retornou para sua terra e passou a dedicar-se ao ensino.
Faleceu em 479 a.C. Seus discípulos reuniram seus ensinamentos na obra Analectos (palavra grega que designa uma coleção de escritos ou ditos célebres).
As ideias básicas do confucionismo destacam a importância da educação, o respeito aos mais velhos, a ideia de que o homem pode se aperfeiçoar, a obrigação de cada um cumprir seus deveres e, para o governante, o dever moral de dar o bom exemplo. Confúcio ensinava que um governante deveria esforçar-se para oferecer paz e prosperidade ao povo. Se não alcançasse esse objetivo, poderia ser substituído. Embora recomendasse obediência aos superiores, Confúcio admitia a derrubada de um governo que tivesse conduta indigna — uma ideia que estava de acordo com o conceito do Mandato Celestial. Também ensinava que o bom governante devia estimular a educação, promover uma sociedade justa e nomear pessoas capazes para os cargos mais importantes, sem se preocupar com a origem social delas. Essa recomendação foi, mais tarde, acatada ao ser implantado o sistema de exames para selecionar os funcionários do governo chinês.
Depois que a república foi proclamada, em 1912, o confucionismo, considerado uma doutrina conservadora, foi abandonado como filosofia oficial pelo governo chinês.

5. Nasce a China imperial
Em 221 a.C., chegou ao fim um longo período de guerras na China. O rei de Qin triunfou sobre os demais reinos e se autoproclamou o Primeiro Imperador — Shi Huangdi.
O novo governante podia adotar esse título porque foi o primeiro a governar um Estado chinês realmente unificado. Ele estendeu para toda a China o modelo administrativo centralizado que vinha sendo aplicado em seu próprio reino. Aboliu os antigos reinos e até proibiu que seus nomes continuassem sendo pronunciados. No lugar deles, criou 36 províncias, governadas por representantes O governo dirigido por Huangdi introduziu uma moeda única e um sistema uniforme de pesos e medidas. O objetivo dessas medidas era fortalecer a centralização, mas elas também atendiam a necessidades criadas pelo crescimento do comércio. Para facilitar a comunicação entre as províncias, um mesmo sistema de escrita foi imposto a toda a China.
Camponeses foram recrutados em grande quantidade para o exército e também para a execução de obras públicas, nas quais trabalhavam ao lado dos escravos. Entre essas obras estava a construção de uma grande muralha no norte da China, cuja finalidade era impedir a entrada de invasores.
O imperador e seus principais conselheiros eram seguidores de uma doutrina chamada legalismo, que recomendava um sistema de recompensas e punições como forma de manter o controle do povo. Esse sistema se apoiava em leis rigorosas e foi combatido pelos confucionistas, que, por isso, foram perseguidos e, muitos deles, condenados à morte. Em 213 a.C., o imperador mandou realizar uma grande queima de livros, com destaque para as obras confucionistas.
Somente foram preservadas as obras que tratavam de assuntos técnicos.
Shi Huangdi morreu em 210 a.C., aos 49 anos. Como imperador, seu governo durou apenas 12 anos. O filho, que o sucedeu, não pôde governar por muito tempo. O descontentamento da população se manifestou em revoltas por todo o país. Uma delas foi liderada por altos funcionários e generais e provocou a morte do imperador. Aproveitando o enfraquecimento do poder central, alguns reinos recuperaram a antiga autonomia. Por fim, em 206 a.C., teve início o governo de uma nova dinastia, que tomou o nome de Han.

Dinastia Han
A dinastia Han procurou consolidar a unificação da China. Os reinos que haviam ressurgido passaram a ser governados por membros da família reinante. A velha nobreza foi aos poucos sendo substituída na administração por funcionários recrutados, geralmente de origem plebeia.
Uma das exigências aos candidatos aos cargos era que conhecessem o confucionismo, a filosofia que se tornou, cada vez mais, a doutrina oficial do governo da China.
A nova dinastia manteve-se no poder por um longo período. Data dessa época a fusão dos elementos étnicos de diversas origens que habitavam o país; a unificação política contribuiu também para a fusão dos idiomas e dialetos em um idioma único. O fato de hoje a quase totalidade dos chineses se considerar Han-jen (ou seja, filhos de Han) mostra a importância dessa dinastia para a formação da identidade nacional chinesa.
O governo dos Han expandiu as fronteiras da China e favoreceu o estabelecimento de contatos com a Índia e outras regiões distantes. A Rota da Seda, aberta nessa época, atravessava a Ásia ocidental e chegava até o Império Romano.
No último século antes da Era Cristã, a China já contava com 60 milhões de habitantes, um número bem maior que o de toda a população europeia daquele tempo. Foi por essa época que os chineses criaram um processo para a fabricação do papel. Em meados do século I da Era Cristã, uma nova religião chegou à China, vinda da Índia: o budismo. Suas semelhanças com o taoísmo favoreceram sua rápida difusão entre os chineses. Hoje, o budismo é a religião com maior número de seguidores declarados na China — cerca de 150 milhões de pessoas.

A INVENÇÃO DO PAPEL
Costuma-se atribuir a Tsai-Lun, funcionário da corte chinesa, a invenção do papel em 107 d.C. Mas o provável é que o papel tenha sido inventado aos poucos, durante o primeiro século da Era Cristã. O papel era obtido da reciclagem de tecidos.
As fibras têxteis já usadas eram moídas e colocadas na forma de folhas finas. Da China, o conhecimento para a produção de papel se espalhou para outras partes. Consta que chegou ao Japão por volta do ano 600. No século XIV, foi introduzido no continente europeu, levado pelos árabes.

6. Idade de ouro da China
Entre os séculos VI e XIII, a China conheceu o que, para alguns historiadores, foi a idade de ouro da China.
Consolidou--se uma eficiente burocracia administrativa, que havia começado a ser estruturada pelo Primeiro Imperador, mais de mil anos antes. Surgiram bibliotecas e escolas para o funcionalismo, cuja fonte de inspiração continuava sendo a filosofia de Confúcio. O modelo administrativo chinês foi imitado pelos territórios vizinhos — Japão, Coreia e Vietnã.
Por esse tempo, a indústria artesanal crescia rapidamente. A China tinha ricos depósitos de ferro e carvão que favoreceram o desenvolvimento da siderurgia. No fi nal do século XI, a China estava produzindo cerca de 125 mil toneladas de ferro por ano. Esse volume era o dobro do que a Inglaterra produzia, no século XVIII, quando esse país iniciou a Revolução Industrial.
O ferro era usado na produção de muitos artigos que alimentavam as trocas comerciais. O crescimento do comércio era favorecido pelo crescente uso do papel-moeda e um sistema mais racional de cobrança de impostos. E também pelo transporte de baixo custo, possível graças à existência de um amplo sistema de navegação fluvial por meio de rios, canais e lagos.
A política exterior alargou o comércio com a Índia e com o resto da Ásia, atraindo comerciantes estrangeiros em cujas colônias nasceram os primeiros bancos chineses.
Simultaneamente, os chineses desenvolveram uma série de inovações que incluía a pólvora, o canhão e a imprensa. Os chineses, que já tinham inventado o papel, foram o primeiro povo a conhecer o livro impresso. Entretanto, a imprensa não prosperou na China, diferentemente do que iria ocorrer com a imprensa “reinventada” por Gutenberg, no século XV, na Europa, que teve grande sucesso imediato.
Por volta do ano 1000, a população chinesa já ultrapassava a marca de 100 milhões de habitantes.

7. A China sob os mongóis
Os mongóis viviam no norte do Império Chinês, em uma região que corresponde aproximadamente à atual Mongólia. Estavam divididos em clãs e tribos e, entre eles, as guerras eram frequentes.
Sendo povos nômades, não tinham cidades. Viviam da caça e de seus rebanhos e não usavam a escrita. Por muitos séculos, foram uma ameaça aos chineses. Em parte foi por causa deles que os chineses construíram a Grande Muralha.
A história dos mongóis e da Ásia começou a mudar radicalmente com o aparecimento de Gengis Khan, que viveu entre os séculos XII e XIII. Originalmente seu nome era Temudjin e era filho de um chefe de clã. Por suas qualidades de guerreiro, distinguiu-se entre os demais chefes de clãs e conseguiu unificar os mongóis.
Esse povo ocupou a China aos poucos. Começando pelo norte, a conquista de todo o território chinês se completou em 1279. A façanha foi conduzida por Kublai Khan, neto de Gengis Khan. Kublai Khan reunificou a China e se declarou imperador, estabelecendo sua capital em Pequim. A dinastia que ele iniciou recebeu o nome chinês de Yuan e governou a China por quase um século, até 1368. Durante esse tempo, os Yuan procuraram se comportar como uma autêntica dinastia chinesa, mas sempre foram encarados como estrangeiros.
Kublai Khan mostrou-se tolerante em relação às diversas religiões. Missionários cristãos e muçulmanos agiam com total liberdade. Atraiu artistas e pensadores e estimulou o desenvolvimento do comércio e da indústria. Ele também permitiu que a China, pela primeira vez, fosse visitada por viajantes europeus. Um desses viajantes foi Marco Polo.
Esse viajante era originário de Veneza, uma cidade da atual Itália. Ele permaneceu a serviço do imperador por 17 anos. Posteriormente, relatou o que viu em um livro publicado na Europa. Descreveu Kublai Khan como “o mais poderoso senhor de gentes, de terras e de tesouros, mais do que qualquer outro senhor que há ou que alguma vez tenha havido até o dia de hoje”. (CONY, Carlos Heitor. As viagens de Marco Polo. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001. p. 90.)
Em meados do século XIV, uma epidemia atingiu a China, provocando uma drástica redução da população. A esse fato se juntaram as dificuldades econômicas e o desejo de se livrar da dominação estrangeira, e tudo isso explica o início de revoltas populares que se espalharam pelo sul do território. O movimento cresceu e se transformou em uma guerra pela expulsão dos mongóis.
Em 1368, o líder da revolta tomou o poder imperial e iniciou uma nova dinastia, chamada Ming, que durou até 1644.

8. A dinastia Ming
Sob o governo dos Ming, houve um grande aumento da atividade marítima chinesa. Uma numerosa frota naval foi construída, o que permitiu que marinheiros chineses chegassem à Arábia e até mesmo à costa oriental da África.
Entre 1405 e 1433, o almirante Zheng He, um chinês muçulmano, comandou sete expedições marítimas.
Os navios chineses provavelmente eram os maiores barcos do mundo naquela época. Chegavam a medir até 135 metros. Em suas últimas expedições, os chineses chegaram até Moçambique, na costa oriental da África. Aonde chegavam, os chineses trocavam presentes, coletavam informações geográficas, curiosidades científicas e principalmente estabeleciam relações diplomáticas com os povos visitados.
Embora naquele momento a China estivesse na vanguarda da navegação marítima, as expedições não tiveram continuidade, sendo interrompidas a partir de 1433. O que teria levado o governo chinês a tomar essa decisão? Os motivos não são claros. Para alguns historiadores, a decisão foi tomada pelos funcionários confucianos que tinham voltado ao poder, após a mudança de imperador, e eles não aprovavam o comércio e o contato com o mundo exterior. Para outros, o problema foi simplesmente falta de recursos financeiros.
Qualquer que tenha sido a causa, o que importa é que a decisão teve consequências da maior importância, pois resultou na retirada da China da competição pela supremacia marítima e deixou o caminho livre para o avanço europeu.

Na Europa, os portugueses saíram na frente e, em 1517, chegaram à China. Foram seguidos algum tempo depois pelos espanhóis e também por holandeses e ingleses. Vendo com desconfiança o contato com os “bárbaros”, que é como os chineses se referiam aos europeus, o governo chinês permitiu que fizessem comércio apenas em alguns portos do sul da China.