quarta-feira, 19 de agosto de 2015







UNIFICAÇÃO DA ALEMANHA

Até meados do século XIX, a Alemanha estava desmembrada em nada menos que 39 Estados. Eles eram politicamente autônomos e estavam reunidos numa entidade chamada Confederação Germânica. Desses Estados, os mais fortes eram a Prússia e a Áustria, governados por dinastias rivais. O rei da Prússia era da família Hohenzollern; o imperador da Áustria era um Habsburgo. Mas havia, por parte dos povos de língua alemã, um desejo muito grande para que vivessem num país unificado. A tentativa de alcançar esse objetivo no meio das revoluções de 1848 tinham fracassado.

Como era a Alemanha antes da unificação
A Prússia reunia as melhores condições para liderar um movimento de unificação. O Estado prussiano vinha obtendo um rápido crescimento econômico, beneficiando-se de um acordo de livre-comércio firmado em 1834 pelos diversos Estados que compunham a Confederação. O acordo eliminava a cobrança de tarifas alfandegárias entre os Estados alemães. Sem as tarifas, o intercâmbio comercial foi estimulado, e a maior circulação de mercadorias tornou as economias dos Estados mais interligadas. A integração econômica foi vista como um forte motivo para que os Estados alemães também se unissem no âmbito político.


A Áustria não fazia parte do acordo de livre-comércio, o que dificultava sua liderança no movimento unificador.

A Prússia era governada pelo rei Guilherme I. Como ocorreu na Itália, quem dirigiu o movimento pela unificação não foi o rei, e sim o primeiro-ministro, Otto von Bismarck. Para ele, a unificação da Alemanha passava pela exclusão da Áustria da Confederação Germânica. A Áustria, rival da Prússia, tinha grande influência sobre os demais Estados da Confederação. Por isso, o Estado austríaco era um grande obstáculo ao objetivo de Bismarck de unificar a Alemanha sob a direção da Prússia.

Para obter a saída da Áustria da Confederação, Bismarck decidiu recorrer à guerra. Com esse objetivo, procurou fortalecer o exército prussiano e mandou construir uma extensa rede ferroviária, que permitisse o rápido deslocamento das tropas de uma parte a outra do território. No plano externo, pôs em prática uma habilidosa diplomacia em busca do apoio de outras nações.

Bismarck, o arquiteto da unificação
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Otto von Bismarck
Para levar à frente seu projeto de unificação, Bismarck acabou provocando três guerras. Primeiramente, atraiu o governo da Áustria para uma guerra contra os dinamarqueses, em 1864. O pretexto era separar da Dinamarca dois ducados de população majoritariamente alemã, os quais, na visão de Bismarck, deveriam fazer parte da Confederação Germânica. A guerra de fato ocorreu e a Diamarca foi rapidamente derrotada. Com a derrota  da Dinamarca, os ducados foram distribuídos entre os dois Estados vitoriosos.

A guerra contra a Áustria era desejada por Bismarck, pois este achava que derrotando esse país, ele poderia colocar a Confederação Germânica sob a liderança da Prússia. Para garantir o sucesso do empreendimento, Bismarck obteve a neutralidade da França e estabeleceu uma aliança com o Reino da Itália. Na guerra que se seguiu, a Áustria foi facilmente derrotada, pois teve de lutar em duas frentes: ao sul, contra a Itália, e ao norte contra os prussianos.

Em seguida à vitória, Bismarck organizou a Confederação Germânica do Norte, que reunia a maior parte dos Estados germânicos, sob a liderança da Prússia. Dessa forma, para completar-se a unificação da Alemanha ficava, pois, faltando os Estados do Sul. 

A terceira guerra do processo de unificação foi contra a França. Pelos cálculos de Bismarck, uma guerra contra esse país fatalmente provocaria o nacionalismo dos alemães, e levaria os Estados do Sul a se juntarem à Confederação Germânica do Norte. No momento oportuno, Bismarck provocou um incidente diplomático que levou Napoleão III a sentir-se ofendido e a tomar a iniciativa do conflito.

Mais uma vez, os resultados saíram de acordo com os planos de Bismarck. Com o apoio dos alemães do Sul, o exército prussiano venceu os franceses, fazendo prisioneiro o próprio imperador Napoleão III, em 1º de setembro de 1870.

Um império foi destruído; outro foi criado
Com a vitória dos alemães, o governo francês foi obrigado a aceitar um acordo de paz, pelo qual teve de pagar uma grande soma em dinheiro e entregar à Alemanha as províncias da Alsácia e da Lorena. Muitos franceses não concordaram que o governo francês aceitasse tais condições. Entre eles, estavam os revolucionários que participaram da Comuna de Paris.

A Guerra Franco-Prussiana destruiu um império (França) e criou outro (Alemanha). No dia 18 de janeiro de 1871, o rei da Prússia recebeu o título de kaiser (imperador) da Alemanha. Estava fundado o Império alemão.

A unificação da Alemanha alterou o equilíbrio de poder na Europa
Graças à unificação, a industrialização se acelerou na Alemanha. A unificação política ampliou e reforçou a integração do mercado interno. Com um mercado consumidor maior, houve grande estímulo à produção de artigos manufaturados. A economia alemã deu um grande salto, o que aumentava a arrecadação de impostos e taxas pelo Estado.

Com a economia fortalecida e a grande quantidade de recursos à disposição do governo, a Alemanha se tornou um Estado poderoso. Com a entrada em cena desse novo “personagem”, o tradicional equilíbrio de poder entre os países do continente europeu foi profundamente alterado.

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