domingo, 22 de maio de 2016

ESSAS CRIATURAS ESTÃO POR TODA PARTE, COMO OS RATOS E AS BARATAS.

De fato, existem políticos que têm a incrível capacidade de se manter no poder qualquer que seja o governo. Me lembro de dois casos bem notórios, um no Brasil e outro na França.
Na pátria amada, esse é o caso de Romero Jucá, que teve seu primeiro cargo importante como presidente da FUNAI, nomeado em 1986. Deixou o cargo sob acusações de corrupção, mas ainda assim permaneceu ativo na política. No governo de José Sarney, foi nomeado para o cargo de governador do Território Federal de Roraima. Em 1994, elegeu-se senador pelo novo Estado, e chegou a ocupar a vice liderança do governo do então presidente FHC.
Em 2002, reelegeu-se senador na mesma eleição em que Lula se elegeu presidente da República. No governo do ex-metalúrgico, Romero Jucá se tornou ministro da Previdência, cargo que teve de deixar poucos dias depois, sob denúncia de corrupção. Apesar disso, foi líder do governo Lula no senado, função que também exerceu na gestão de Dilma Roussef. Em 2010, foi reeleito senador por seu Estado de adoção, Roraima (embora seja pernambucano).
No momento, mesmo sendo citado nas operações Lava-Jato e Zelotes, tornou-se ministro do Planejamento e é o homem-forte do governo de Michel Temer.
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A trajetória desse cidadão lembra a de um bispo francês chamado Talleyrand, que participou de todos os governos da França, a partir de 1780. Nesse ano, foi nomeado Agente Geral do Clero junto ao governo da França, ainda no tempo da monarquia dos Bourbons.
Quando explodiu a grande Revolução de 1789, Talleiyrand se exilou nos EUA. Retornou oito anos depois, e foi nomeado ministro das Relações Exteriores do próprio governo revolucionário!
A Revolução acabou em 1789, quando Napoleão assumiu o poder. O bispo Talleyrand se manteve – pasmem-se! - ministro das Relações Exteriores da França do governo napoleônico.
Após a primeira queda de Napoleão, em 1814, a monarquia dos Bourbons voltou o poder na pessoa de Luis XVIII, e mais uma vez Talleyrand estava lá no cargo de ministro das Relações Exteriores. Coisa incrível!

Em 1830, ocorreu uma nova revolução na França e o novo rei, Luís Filipe de Orleans, nomeou Talleyrand embaixador na Inglaterra. Não sei se pesaram contra ele denúncias de corrupção (como é o caso de Romero Jucá), mas o fato é que o bispo se manteve no poder (ou em volta do poder) por mais de 50 anos. Faleceu em Paris, em 1838, aos 84 anos.